Valor do real é risco
A CNI também espera uma reversão da tendência de valorização da taxa de câmbio durante o terceiro trimestre. Isso porque, na avaliação da CNI, deverão mudar de sentido as duas forças que hoje mantêm o dólar baixo em relação ao real: a grande diferença entre as taxas de juros internacional e doméstica e o superávit comercial. Mesmo com essa expectativa, a CNI fez alerta sobre o risco da valorização do real frente ao dólar comprometer o futuro das exportações.
Para o economista da entidade, Paulo Mol, são ''perigosas'' as avaliações recentes de que a balança comercial não tem sido afetada pela valorização do real. ''Criou-se um perigoso consenso de que a taxa de câmbio não influencia a balança'', disse Mol. Ele destacou que os resultados comerciais expressivos que o Brasil vem obtendo, mesmo com o real valorizado, são fruto de investimentos pesados feitos no passado.
A valorização do real, ressaltou, tem reflexos na rentabilidade dos exportadores e pode afetar investimentos. ''O aspecto perverso deste efeito decorre do longo tempo de maturação dos investimentos. Os seus impactos não serão sentidos agora, mas somente uma expansão futura das exportações'', diz o boletim da CNI.
Flávio Castelo Branco disse que é ''intrigante'' o vigor das exportações verificado hoje. ''Essa aparente contradição é característica do curto prazo, mas levanta algumas preocupações quanto à trajetória futura do crescimento'', alertou. Segundo ele as exportações têm sido sustentadas pela demanda mundial, aquecida principalmente pelas duais principais ''locomotivas'': China e Estados Unidos.





