O dólar voltou a disparar ontem, atingindo preço recorde de R$ 2,23 para venda e deixando o próprio mercado financeiro perplexo. A alta levou o Banco Central (BC) a intervir no mercado e vender dólares diretamente a alguns dealers - instituições que operam em seu nome -, mas não impediu a mudança do nível de preço da moeda, que encontrou espaço para fechar a R$ 2,17, em alta de 1,40% - o ptax do Banco Central foi de 2,1308, alta de 5,05%. Na véspera, o dólar fechou a R$ 2,14, mas a cotação média do dia ficou em R$ 2,02. Somente na tarde da segunda-feira, devido a duas operações de compra que não foram atendidas nem pelo mercado nem pelo BC, o dólar superou R$ 2,15. ‘‘Foi um sinal de má administração’’, criticou um executivo do mercado.
Enquanto o dólar subiu, os juros do overnight permaneceram estáveis em 39% ao ano e devem continuar nesse nível até segunda-feira. Numa atitude que surpreendeu, o BC definiu a taxa - que está nesse nível desde o dia 1º de fevereiro - por quatro dias úteis (seis dias corridos). Mas sua atuação no mercado de títulos públicos foi interpretada como uma dupla sinalização, que a alta de juros no curto prazo é inevitável e a autoridade monetária começa a recorrer a instrumentos alternativos, além de intervenções junto aos ‘‘dealers’’, para conter a vigorosa pressão no câmbio.
A perspectiva de alta do juro foi apontada pelo resultado da venda de lote equivalente a R$ 4 bilhões de Notas do Tesouro Nacional da série S (NTN-S) pelo valor de face, com taxa máxima de 41,55% ao ano. Na semana anterior, esses papéis (de prazo idêntico) foram vendidos a uma taxa máxima de 38,91%. Já a Bolsa de Valores de São Paulo fechou em baixa de 1,38%.
A exemplo de segunda-feira, o dólar chegou a recuar na abertura do mercado ontem em relação à véspera, com alguns negócios a R$ 2,09. Perto das 11h30 atingiu a máxima de R$ 2,23, mas sem negócios. Boa parte das operações foi feita a R$ 2,21, quando repentinamente a cotação caiu para R$ 2,14. Como a queda foi rápida, analistas acreditam que o BC tenha atuado nesse momento. Os volumes foram baixos, entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões para cada dealer.
O presidente do grupo Meridional (que inclui o banco Bozano, Simonen), Paulo Ferraz, explica que o movimento do mercado de câmbio reduziu-se enormente, tanto na ponta comprada como na vendida, em relação ao período pós-maxidesvalorização cambial. Com pouca oferta de moeda e com pressão de compra das empresas que precisam honrar compromissos no exterior, todo mundo está de olho na melhor hora de comprar e de vender. ‘‘Esse movimento acaba fazendo com que o preço oscile bastante.’’

mockup