Valor da terra tem forte queda no Paraná
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segunda-feira, 11 de setembro de 2006
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
A desvalorização da terra é a consequência mais perversa do endividamento agrícola nos últimos dois anos. Os juros altos, a difícil negociação com os bancos, as pragas e a insegurança climática incentivam - diariamente - mais produtores a colocarem seus bens à venda de Norte a Sul do País.
O desânimo atingiu até os proprietários de terra roxa, considerada a mais fértil do Brasil. O alqueire do norte paranaense, por exemplo, perdeu 50% do valor devido à queda na produtividade causada - principalmente - pela estiagem. Segundo o corretor imobiliário Leonildo Del Vechio, as negociações rurais estão paradas mesmo com o excesso de oferta. ''As propostas de venda chegam de vários Estados com preços muito atrativos. O problema é que os interessados também estão descapitalizados'', explicou.
A redução no valor da soja em escala mundial contribuiu significativamente para este quadro. A saca de 60 quilos, que há três anos chegou a R$ 52,00 no Paraná, hoje é comercializada em torno de R$ 24,00. No Mato Grosso (MT), maior produtor nacional deste grão, o prejuízo é ainda maior porque os sojicultores pagam frete para escoar sua produção pelos portos de Santos (SP) ou Paranaguá (PR). A estimativa de Vechio, é que o custo do transporte necssário aos produtores matogrossenses diminua em até 30% o ganho por saca.
Conforme o economista Ismael Mologni, a cada três anos, no máximo, ocorre o 'rally' da soja no mercado externo. Isto significa queda na oferta e consequente aumento no valor do produto. A última vez que isso aconteceu foi em 2003. Portanto, a expectativa entre os adeptos da climatologia agrícola, facilitada pela internet, é que a história se repita este ano. ''Não sou futurologista nem quero impor minhas conclusões. Baseio-me apenas em números que levam a crer numa fase melhor para a soja e, consequentemente, para outros ramos da economia brasileira. A renúncia do patrimônio sempre é a última alternativa em momentos de crise. Neste, especificamente, a decisão é precipitada'', disse o ex-professor de economia rural da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Algumas dívidas que, atualmente, perturbam os agricultores pelo Brasil foram adquiridas no último 'rally' da soja. A euforia em relação a commodity mais valorizada do Brasil levou o empresário rural a adquirir novas áreas, plantar mais e/ou renovar a frota.
No primeiro semestre, o imobiliarista Carlos Mario Stersa vendeu três propriedades na região de Londrina a clientes alheios ao meio. Para ele, quem pode investir sem pressa do retorno, a terra roxa é uma ótima opção que - provavelmente - oferecerá lucro somente na safra 2008/2009. ''Embora a soja e os insumos sejam cotados em dólar, a variação no preço das sementes e defensivos ocorre sempre num ritmo mais lento comparado à venda do grão''.
Para o economista, a solução menos traumática aos agricultores é recorrer à Justiça ancorados na Lei Agrícola, que amenizará a sanha (fúria) dos bancos e outros credores.


