OtimismoNorberto Ortigara: ‘‘Produtores tecnificados estão investindo na compra de novas terras’’ Este ano o valor da terra no Paraná deverá ter um crescimento entre 15% e 20%, devendo retornar aos valores praticados em fevereiro de 1995, o auge do período de valorização, depois de decretado o plano Real. A Secretaria da Agricultura está acompanhando o processo de valorização das terras e a expectativa é que até o final do ano o hectare deverá ser negociado em torno de R$ 4 mil, retornando aos valores praticados em fevereiro de 95, quando o hectare de terra roxa mecanizada foi negociado a R$ 3.915,00, em média, afirmou o diretor do Deral, Norberto Ortigara.
Para Ortigara nem a nova legislação do Imposto Territorial Rural que vai tributar ‘‘ pesado’’ a partir do ano que vem as áreas improdutivas, assustam os produtores que estão entusiasmados com o desempenho da produtividade alta da soja e agora, querem aumentar os ganhos, numa escala maior, ou seja, incorporando novas áreas. Ele ressalva que os investidores são produtores tecnificados que já têm uma estrutura de produção e agora querem comprar áreas vizinhas, de produtores desestimulados com a Agricultura, sem condições de investir em tecnologia.
Enquanto algumas propriedades estão se modernizando cada vez mais, o processo de expulsão do campo não parou. Segundo Ortigara são as áreas semi-abandonadas com baixa ocupação que estão sendo vendidas. Para os investidores, a reforma agrária não preocupa, pelo contrário, a legislação está até acelerando o processo de incorporção de terras ociosas com baixa eficiência, destacou. Isso porque quem teme o novo imposto e não consegue tornar a área produtiva, acaba vendendo mesmo.
O processo de valorização das terras começou no ano passado como reação à melhora na comercialização dos preços agrícolas, principalmente da soja, que este ano deverá se acentuar, explicou Ortigara. A reação começou depois de um período de baixa no preço da terra, quando no final de 95, o preço do hectare da terra roxa mecanizada caiu para abaixo de R$ 3 mil. Aquele foi o pior ano para os preços agrícolas da história recente, quando o Paraná chegou a ter 13 mil propriedades à venda, destacou.
Agora o processo começa a se inverter e o valor da terra deverá subir acima da inflação, prevê Ortigara. Além da cotação da soja estar favorável a investimentos, o produtor também prefere aplicar em ativo real, em detrimento do mercado financeiro. Ele prevê a valorização também para as áreas não mecanizadas, de baixo rendimento.
Ortigara admite que em áreas não mecanizadas a oferta de terras é maior, pelo fato de a produtividade ser insuficiente para gerar volume de renda em escala necessária para o sustento de uma família no campo. Mas ressalta que também essas áreas vão acabar sendo beneficiadas pela onda de valorização dos ativos rurais, puxados pelo preço da soja.

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