Valor da saca não remunera o produtor
A expressiva desvalorização do feijão reflete negativamente na ponta inicial da cadeia produtiva. Produtores do alimento, que chegaram a receber R$ 90,00 pela saca no início do ano, hoje vendem a produção por R$ 40,00 a R$ 50,00, no Paraná. Segundo a analista de mercado Sandra Hetzel, o preço atual é muito próximo do custo de produção. ''Para remunerar o agricultor, a saca teria que valer pelo menos R$ 75,00'', defende.
Ela afirma que a diferença entre o preço recebido pelo produtor e o valor pago pelo consumidor na gôndola do supermercado é muito grande. De acordo com o Deral, o custo médio do quilo de feijão no varejo, em junho de 2004, ficou em R$ 2,05 no Paraná. Isso significa que a saca de 60 quilos, como a vendida pelo produtor por R$ 50,00, sairia por R$ 123,00. A diferença é de 146%. ''Essa gordura na comercialização é o grande gargalo da cadeia'', criticou.
Valmor Rovaris, superintendente da Apras, explicou que a diferença de preço decorre de custos agregados durante o processo de beneficiamento, o que inclui perda de impurezas, impostos, embalagem e frete. Ele informou, ainda, que o varejo costuma praticar mergens pequenas nos produtos básicos, por causa da concorrência. ''É item de briga de preço'', disse, acrescentando que a margem bruta cobrada deve variar entre 10% e 20%. Desse valor, as empresas descontam o custo operacional do estabelecimento. (C.A.)





