Valor da carne puxa alta da cesta básica
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segunda-feira, 03 de outubro de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O aumento de 4,42% no preço da carne, ocorrido no comércio varejista, interrompeu o processo de deflação da cesta básica de Curitiba. Após três meses seguidos de queda com uma redução de 11,6% a cesta básica, referente ao mês de setembro, apresentou alta de 0,90%. Com isso, a cesta acumula variação de 1,37% nos nove meses do ano e -4,81% no acumulado dos últimos 12 meses.
No levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Curitiba foi a quinta capital mais cara do País, com a cesta mensal de alimentos básicos avaliada em R$ 158,05. A variação ocorrida em setembro na capital paranaense foi a segunda mais alta, só perdendo para Florianópolis (SC), que foi 1,82%.
O economista Sandro Silva ressaltou que os maiores aumentos no preços da carne ocorreu na região Sul. A cesta de Florianópolis (SC) acusou aumento de 6,5% para a carne e Porto Alegre (RS), 2,17%. Ele notou no entanto, que esse aumento ocorreu somente no varejo, ''o que sinaliza uma especulação''. Segundo Silva, para o produtor o preço pago pela arroba do boi caiu 15,7% entre agosto de 2004 e agosto de 2005.
Outro produto que subiu em setembro foi a banana, com alta de 12,33% no mês. Segundo o economista, as condições climáticas com o excesso de chuvas nas regiões de produção prejudicaram a oferta da fruta, e houve uma recuperação dos preços, explicou. Silva acredita que a tendência é intensificar essa recuperação.
Dos 13 itens da cesta pesquisados pelo Dieese, oito tiveram queda de preço em Curitiba. As maiores reduções de preço aconteceram com a batata (-8.89%), tomate (-7,01), arroz (-6,58%), leite (-4,80) e manteiga (-3,36).
Para o economista Cid Cordeiro, do Dieese, os preços dos alimentos em baixa está ajudando a inflação ficar compatível com a meta estipulada pelo Banco Central, que prevê variação de 5,1% para este ano. Ele destacou que 2005 é o ano de queda no preço dos alimentos e o consumidor está percebendo isso na mesa. A desvalorização do dólar frente ao real, os impactos das condições climáticas e a queda nas cotações dos preços agrícolas, influenciam a deflação no preço dos alimentos.
''Quando os exportadores desistem de enviar produtos ao mercado externo, aumenta a oferta no mercado interno e cai o preço'', analisou. Para Cordeiro o comportamento no preço dos alimentos tem sido mais eficaz para conter a inflação do que o aumento de juros que só aumentou o peso da dívida, comparou.


