Horas depois do anúncio do Banco Central de manter livre o mercado do dólar, a procura pela moeda sem reduziu bastante em razão do alto preço negociado no paralelo. Nos poucos negócios realizados em Londrina, ontem à tarde, a moeda americana acabou cotada a R$ 1,40 e R$ 1,60. Nos momentos de pico a moeda chegou a ser negociada a R$ 1,80. Mesmo com poucas negociações, o movimento nas agências de câmbio foi intenso durante todo dia. Investidores procuravam detalhes sobre a reação do mercado ao anúncio do governo.
‘‘Ninguém sabe ao certo o que está acontecendo’’, desabafou ontem um cambista experiente. Ele disse que estava surpreso porque, ao contrário de sua previsão, quem tinha a moeda americana segurou ao invés de vendê-la. ‘‘Ninguém quer ficar sem dólar neste momento’’, afirmou outro corretor. Segundo informou, ontem foi um dia em que os agentes procuraram comprar mais e as vendas ficaram limitadas. Um corretor que atua no mercado há mais de 30 anos explicou que os poucos negócios realizados ontem foram consequência do preço alto, que acabou afugentando compradores. ‘‘Quem é que vai querer comprar por este valor’’, questionou.
A gerente da carteira de câmbio e comércio exterior do Banco do Brasil, Laura Gisele Galvão Antunes, informou que ontem os negócios seguiram em ritmo normal para as chamadas negociações de câmbio pronto, como contratação de câmbio para pagamento de importação e recebimento de exportação. São operações contratadas e liquidadas em até 48 horas. Já as operações de crédito, como por exemplo financiamentos, foram contingenciadas. ‘‘Quem não dependeu de financiamento negociou normalmente’’, explicou a gerente.
Ela disse que a paradeira no mercado paralelo se deve a uma indefinição considerada normal neste primeiro momento. ‘‘A tendência é que tudo se assente em uma semana’’. Segundo a gerente, a cotação da moeda americana no comercial deverá se manter entre R$ 1,45 e R$ 1,60, nos próximos dias.

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