Dida Sampaio/AERegras definidasO presidente do BNDES, Luis Carlos Mendonça de Barros, o vice-presidente, Pio Borges, e o ministro do Planejamento, Antônio Kandir, anunciam a data para o leilão de privatização da Companhia Vale do Rio Doce, no Palácio do Planalto.O governo privatizará a Vale do Rio Doce no dia 29 de abril para engordar seu caixa em R$ 3 bilhões. Foi o que anunciou ontem o ministro do Planejamento, Antônio Kandir, após reunião no Conselho Nacional de Desestatização (CND). O governo colocará à venda o controle da empresa, ofertando 45% das ações ordinárias (com direito a voto) que detém. Logo após o leilão, uma parcela das ações será vendida aos empregados e outra parte ao público em geral. O edital detalhando as regras da privatização será publicado hojeno Diário Oficial.
O preço mínimo da empresa inteira foi fixado em R$ 10,361 bilhões. Ele foi calculado tomando como base os valores médios praticados pelo mercado nas transações de papéis da Vale nos últimos 90 dias. O governo decidiu ignorar os preços propostos pelas duas empresas de consultoria contratadas para calcular o valor da Vale. Uma delas havia proposto R$ 9,014 bilhões e a outra, R$ 10,052 bilhões. Porém, desde a semana passada, o governo já estava atento ao mercado, que vinha praticando preços acima dos propostos. Por isso, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) propôs ao CND que se adotasse o preço médio praticado. Assim, cada ação ficou com um preço mínimo de R$ 26,67.
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luiz Carlos Mendonça de Barros, informou que o leilão será concretizado se houver comprador para pelo menos 40% das ações ordinárias colocadas em oferta. Ele explicou que a União detém 76% do total de ações da Vale. E é dono de 189,9 milhões de ações ordinárias. No leilão, será ofertado 45% das ações ordinárias da empresa, que corresponde a 112,4 milhões de ações. ‘‘Como parece que haverá dois ou três consórcios no leilão, esperamos algum ágio’’, disse Mendonça de Barros.
Ele lembrou, ainda, que uma parte das ações será vendida aos funcionários da Vale. Já está determinado que eles comprarão 4,45% das ações ordinárias e, posteriormente, 6,30% das ações preferenciais. Para os empregados, há a opção de comprar sua participação diretamente da Vale, sem entrar no leilão. Porém, já houve negociações para que a BNDES Participações (BNDESPar), subsidiária do BNDES, se associe aos empregados para participar do leilão. ‘‘Decidimos associar a BNDESPar aos funcionários para dar a eles mais poder de barganha nas negociações com os consórcios’’, explicou Kandir. Para cada um real que os funcionários decidirem investir no leilão, a BNDESPar colocará mais um real.
Os R$ 3 bilhões que o governo pretende arrecadar com a venda do controle da Vale já têm destino certo: metade será utilizada para resgatar títulos da dívida pública federal e a outra metade comporá o Fundo de Reestruturação Econômica Nacional (Fren). Kandir esclareceu que o Fren não fará nenhum investimento a fundo perdido (sem retorno) para a União. A idéia é utilizar esse Fundo, de R$ 1,5 bilhão, para financiar exclusivamente investimentos do setor privado, obtendo um rendimento médio superior ao gerado com o pagamento de dividendos por parte da empresa. Os empréstimos priorizarão projetos de ampliação e melhoria da infra-estrutura e de incentivo à exportação.

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