Vale será vendida até março, diz FHC
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sexta-feira, 17 de janeiro de 1997
Agências Folha e Estado de Brasília e Rio 
Arquivo FolhaClasse mundialMina da Vale em Carajás: estatal confirma fortes indícios de nova jazida de grandes proporções
O presidente Fernando Henrique Cardoso assegurou ontem que o governo vai cumprir o cronograma de privatização da Companhia Vale do Rio Doce, que prevê a realização do leilão de venda da estatal até o final de março. A informação foi prestada pelo porta-voz da Presidência, Sérgio Amaral, que esclareceu também que o preço mínimo da empresa poderá ser alterado em função das novas descobertas de jazidas minerais na região de Carajás, no sul do Pará.
Amaral declarou que o governo não está escondendo nada em relação ao real patrimônio da Vale. Segundo o porta-voz do presidente, as jazidas descobertas na Serra Leste continuarão a ser pesquisadas. Ele disse que, por enquanto, não há condições de medir a extensão das jazidas e nem mesmo o seu preço, já que o aprofundamento da pesquisa é um trabalho contínuo e demorado.
Amaral assegurou que haverá transparência sobre toda e qualquer nova descoberta em áreas da Vale. Garantiu também que o País se beneficiará com qualquer nova descoberta mineral através de debêntures, como previsto nas regras de venda da empresa.
Segundo o ministro do Planejamento, Antônio Kandir, essas debêntures dão ao governo o direito de ter uma participação entre 2% e 4% nas receitas de exploração das jazidas que forem descobertas depois que a Vale for privatizada. O governo não vai ter prejuízo com descobertas futuras, garantiu o ministro.
Presidente da
Estatal defende
reavaliação no
valor de venda
ReavaliaçãoO presidente da Companhia Vale do Rio Doce, Francisco José Schettino, afirmou ontem no Rio de Janeiro que os indícios apontam a existência de uma nova mina de ouro e cobre de classe mundial na serra dos Carajás (sul do Pará). Segundo o presidente da estatal, os dados até agora obtidos já justificam uma reavaliação da empresa para efeitos de privatização. Classe mundial, no jargão do setor minerador, significa uma mina de grandes proporções.
De acordo com Schettino, daqui a três meses a empresa terá condições de dar uma informação mais precisa sobre a dimensão da reserva de ouro e cobre que vem sendo pesquisada desde o ano passado. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), gestor do programa de privatização do governo, determinou à empresa MRDI (Mineral Resources Development Inc.), especialista em minérios do consórcio avaliador da Vale, que examine o que pode mudar no preço da empresa por conta das novas informações.
Schettino disse que a empresa está cada vez mais próxima de confirmar a existência de uma grande reserva na área de Igarapé-Bahia, onde hoje já existe uma mina de ouro da Vale que produz 10 toneladas do minério por ano.
Segundo ele, os resultados das perfurações cada vez mais confirmam as perspectivas que a empresa havia revelado existirem em outubro do ano passado. Daqui a três meses poderemos dar nova informação, boa ou ruim, disse. Schettino afirmou que a Vale estava preparando um comunicado ao mercado sobre os avanços da pesquisa quando vazou a informação sobre esses avanços.
Para o presidente da Vale, a descoberta de uma nova mina só ajuda a privatização da empresa, porque a torna mais atraente para os investidores. A informação dada por Schettino de que daqui a três meses será possível definir a extensão da jazida encurta em mais de um ano o prazo que inicialmente a empresa considerava necessário. A Vale calculava que seriam necessários dois anos a partir do início das pesquisas, em meados do ano passado. Segundo Schettino, nas últimas prospecção feitas tem aumentado a porcentagem de sucesso dos furos e os teores (de minério) têm sido confirmados. De acordo com informações divulgadas pela Vale ao mercado, até agora já foram feitos 12 furos, com sucesso em 5 deles.
Embora o presidente da Vale diga que a divulgação de dados confirmando indícios de novas descobertas só ajuda a privatização da empresa, uma das versões correntes dentro da própria Vale para o surgimento dessas informações agora é a da necessidade de uma justificativa para retardar a venda.
Segundo essa versão, a notícia sobre as jazidas era o que o governo precisava para justificar um adiamento no cronograma de privatização, deixando a definição para depois da votação da emenda da reeleição no Congresso.


