Com dois meses à frente do Conselho de Administração da Companhia Vale do Rio Doce, o empresário Benjamin Steinbruch, também presidente do Conselho da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), já tem um diagnóstico básico para a empresa: embora fosse considerada uma espécie de jóia na coroa do setor público, por ser rentável e eficiente, ela não é competitiva no mercado internacional.
A Vale perde para as principais concorrentes no mercado de minério de ferro, que são as empresas australianos, cujos custos são 25% menores do que o da ex-estatal brasileira. Em um ano, porém, isso vai mudar, segundo Steinbruch. Nos 60 dias que transcorreram desde a privatização da Vale, em seu entender já se obteve avanços importantes. A empresa fez um corte de 30%, equivalente a R$ 110 milhões, nos custos relativos a contratos com terceiros e acabou com o chamado espaço político dentro da empresa. Os que ocupavam cargos por indicação política saíram em uma leva de 57 dispensas.
Na semana passada, a CSN, sócia da Vale, contratou o executivo Manuel Horácio Xavier para acompanhar o processo de reestruturação da ex-estatal, mas Steinbruch nega que ele seja um homem duro, especializado em promover cortes profundos. A Vale reduziu drasticamente dois escritórios no exterior - o dos Estados Unidos e o da Bélgica - e, conforme Steinbruch, vai centrar fogo na sua atividade básica, que é a exploração de minério de ferro. Ele afirma também que não encontrou vícios de estatal na vale, mas sim procedimentos típicos.
Com a nova liberdade, ela vai fazer prospecção de minérios no exterior e montar novas parcerias. O empresário nega que esteja havendo divergências importantes dentro da Vale, a respeito da escolha do seu modelo de gestão - o novo presidente da empresa, que substituirá Francisco Schettino, somente será eleito depois de definido este modelo.

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