Vale-refeição vira moeda corrente


Vânia CasadoDe Curitiba
Vânia CasadoDe Curitiba

O tíquete-refeição, criado pelo governo federal para alimentação do trabalhador, virou moeda corrente no comércio. Com a crise financeira que atinge o bolso do trabalhador, os tíquetes valem dinheiro à vista. Com ele, pode-se comprar alimentação, roupas, jornais, remédios, presentes, bijouterias.
Paralelamente a esse comércio, criou-se um outro ramo de negócios que tem o ‘‘tiqueteiro’’ como trabalhador, ou seja a pessoa que compra o tíquete dos comerciantes e depois recebem das empresas de vale-refeição. Na verdade essas pessoas funcionam como um instrumento de ‘‘factoring’’, porque compram o tíquete com um ágio, antecipam o pagamento à vista para o comerciante e depois aguardam o prazo para receber das empresas fornecedoras dos vales.
Os restaurantes, lanchonetes e supermercados cadastrados nas empresas de vale-refeição ou alimentação têm uma data para entregar os vales e, a partir disso, recebem num prazo de 20 a 25 dias. Além disso pagam ágio que varia de 5% a 8% às empresas. Dependendo da data da operação, o comerciante leva quase 60 dias para receber. Para evitar esse prazo, os tiqueteiros compram os vales, com desconto médio de 10% e antecipam o pagamento à vista.
De acordo com um comerciante que não quis se identificar, esse negócio passou a ser controlado por aposentados ou por pessoas que têm uma poupança para investir. Se o dinheiro fica na poupança, o rendimento médio é de 0,60%, e na troca de tíquetes é possível ganhar entre 2,5% e 3%. Essa operação também envolve risco, porque há muitos vales roubados e, neste caso, as empresas fornecedoras não pagam.
Por outro lado, há um outro segmento de intermediários que compra os tíquetes diretamente do trabalhador. Ou seja, os intermediários adquirem o bloco de vale-refeição ou alimentação direto do trabalhador com ágio que varia de 12% a 15%. Nesse caso o ágio é maior, porque esses intermediários sabem que os trabalhadores precisam do dinheiro, muitas vezes para pagar contas.
Nas ruas centrais de Curitiba, o pequeno comércio tem no vale-refeição e vale-transporte, a moeda corrente. O comerciante que vende bijouterias, José Noel Neves Chagas, aceita vale-refeição sem nenhum desconto. Ele troca esses papéis por alimentação no supermercado perto de sua casa, também sem nenhum desconto.

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