Rio de Janeiro O presidente da Companhia Vale do Rio Doce, Roger Agnelli, disse ontem que, apesar de a situação macroeconômica do País estar favorável aos investimentos do setor privado, a demora na definição de regras claras, especialmente na área de infra-estrutura, está atrasando os investimentos. ''Está faltando bola na rede'', afirmou. A Vale é a maior produtora de minério de ferro do mundo.
''Estamos com muita dificuldade para saber quanto iremos colocar na área de energia'', disse Agnelli. Ele afirmou esperar que o governo defina o novo modelo para o setor energético nos próximos dez dias e afirmou que a Vale está com projetos energéticos atrasados por causa dessa falta de definição.
Agnelli também se queixou da legislação para a área de meio-ambiente que, segundo ele, atrasa os investimentos mesmo de empresas que cumprem todas as exigências legais. ''É preciso haver clareza. Se eu respeito todas as regras, tenho que ter um prazo para investir'', reclamou.
Segundo o presidente da Vale, há conflitos entre as legislações ambientais da União, dos estados e dos municípios e isso estaria fazendo com que os projetos levem até três vezes mais tempo para serem aprovados do que o prazo que seria razoável.
Ele se queixou de que problemas com a legislação ambiental estão atrasando a abertura de uma nova mina de bauxita (minério de alumínio) no Pará.
Agnelli disse que a Vale pretende investir em 2004 US$ 2 bilhões, valor que, segundo ele, está dentro da média dos investimentos da empresa. ''Não deve ser muito diferente de 2003'', afirmou. De janeiro a setembro deste ano, a mineradora investiu US$ 1,5 bilhão.

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