Rio de Janeiro - A joint venture firmada esta semana pela Companhia Vale do Rio Doce na área de carvão envolve a primeira compra de ativos da mineradora na China. Segundo fonte na empresa, a Vale ficará com 25% das duas minas da Yongcheng Coal & Electricity Group (Yongcheng), uma das maiores produtoras mundiais de carvão. Mas os planos da companhia são ainda mais ambiciosos. A fonte não revela cifras do negócios, mas adianta que o investimento total nos dois acordos na área de carvão fechados esta semana somam US$ 300 milhões.
Além da joint venture fechada com a Yongcheng, a mineradora assinou acordo também a Shanghai Baosteel Group Corporation (Baosteel), maior produtora de aço da China. A mineradora quer transformar os parceiros chineses em sócios, como já ocorre com os japoneses, que chegam até a fazer parte do grupo de controle da mineradora brasileira. A Mitsui, parceira comercial há anos, trocou no ano passado uma participação na Caemi, subsidiária do grupo CVRD, por uma fatia no bloco de controle da holding que controla a Vale.
A estratégia da mineradora fica clara quando se observa outros negócios, como a sociedade fechada com a chinesa Aluminum Corporation of China Limited (Chalco) para a construção de uma refinaria de alumina no Pará. A empresa chinesa é a maior do país no ramo de bauxita, alumina e alumínio. A decisão de expandir a presença da Vale na região inclui ainda a construção de um cargueiro para baratear o transporte entre os dois países. O plano é exportar minério de ferro para a China e no mesmo navio trazer para o Brasil carvão e coque.
Escritório paulista O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), em coletiva hoje (25) por telefone, disse que a venda de etanol e o financiamento para a construção de um ferroanel para facilitar o acesso ao Porto de Santos são suas maiores expectativas nessa visita à China. Para atrair investimentos, Alckmin inaugura hoje, em Xangai, um escritório do governo paulista.
De acordo com ele, os empresários chineses estão muito interessados em baratear o transporte da soja, produto muito consumido naquele País. A nova ferrovia, que acompanharia o traçado do Rodoanel e teria uma extensão até o porto de Santos, está incluída na Parceria Público-Privada (PPP) do governo federal, mas custa R$ 400 milhões e precisa de investimento privado.
Ainda segundo Alckmin, a China tem uma perspectiva de investir perto de US$ 5 bilhões no Brasil. O primeiro grande passo para a concretização destes investimentos foi dado segunda-feira, em Pequim, com a assinatura de um memorando de cooperação entre o Ministério do Planejamento do Brasil e o Ministério do Comércio da República da China. Entre os principais produtos que São Paulo quer colocar na pauta de exportação para lá estão a laranja, a carne e o automóvel. ''Há interesse em investir em São Paulo e estamos aqui oferecendo essas oportunidades.''

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