Vale e Petrobras fazem acordo para gasoduto
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terça-feira, 18 de março de 1997
Agência Estado 
José Paulo Lacerda/Agência EstadoSolenidadeO ministro das Minas e Energia, Raimundo Brito, o presidente FHC, Joel Rennó, da Petrobras e Francisco Shettino, da Vale, durante assinatura de acordo no Palácio do PlanaltoBRASÍLIA - Um acordo entre a Petrobras e a Companhia Vale do Rio Doce possibilitará investimentos de US$ 570 milhões em dois anos em quatro grandes projetos para utilização de gás natural da Bacia de Campos (RJ) e da Bacia do Espírito Santo. Além disso, o acordo aumentará o valor agregado do aço exportado pela Vale. Começa-se a se densenhar a conformação de uma grande malha de gasodutos, envolvendo as Bacias de Campos, Espírito Santo, Santos e o gasoduto Brasil-Bolívia, disse o ministro de Minas e Energia, Raimundo Brito.
Nós vamos poder modificar o tipo de produto a ser exportado, afirmou o presidente Fernando Henrique Cardoso, que participou da cerimônia de assinatura do acordo para a construção do trecho do Gasoduto Brasil-Bolívia entre as cidades de Campos e Vitória. Segundo ele, o valor será multiplicado por 15, passando de menos de US$ 20 (a tonelada) para mais de US$ 150.
Serão construídos o gasoduto de Cabiúnas (RJ), a planta de produção de ferro esponja e uma unidade termelétrica, e haverá a substituição, por gás natural, do óleo combustível utilizado pela Vale em seu complexo industrial de pelotização.
O acordo entre as estatais prevê o fornecimento de 4 milhões de metros cúbicos/dia de gás natural da Bacia de Campos e do Espírito Santo para esses quatro empreendimentos. Segundo Brito, as descobertas de gás na Bacia do Espírito Santo desde o segundo semestre do ano passado fizeram as reservas da região aumentar em 6 bilhões de metros cúbicos. O estado tem 16 bilhões de metros cúbicos de reservas.
O gasoduto de Cabiúnas ligará a Bacia de Campos ao porto de Tubarão (SC), com extensão de 325 quilômetros e capacidade para transportar 5 milhões de metros cúbicos/dia de gás natural. As obras estão orçadas em US$ 100 milhões.
Outros US$ 220 milhões serão investidos em uma fábrica para a produção de ferro esponja de HBI (hot briquette iron), utilizando como insumo principal pelotas de minério de ferro da Vale e gás natural da Petrobras. O HBI é um tipo de ferro primário que serve para produzir aço em forno elétrico.
Será construída uma unidade de produção de energia elétrica a gás natural, que gerará 460 megawatts, metade para atendimento do complexo de Tubarão. O restante da energia estará disponível para a venda no Espírito Santo. Ao todo serão investidos US$ 250 milhões. O último projeto é a substituição de óleo combustível por gás no Complexo Industrial de Pelotização da Vale.


