Uma equipe de geólogos contratados pela Companhia Vale do Rio Doce esteve na semana passada no município de Castro fazendo uma análise dos últimos estudos feitos pela empresa na tentativa de descobrir ouro na região. A Vale iniciou a procura do minério em Castro, há um ano. A empresa tem 20 concessões de exploração em uma área que totaliza 30 mil hectares.
Os geólogos, coordenados pelo professor canadense Robert Mason, chegaram a Castro no dia 20 e foram embora dois dias depois. Eles se hospedaram no Buganville Palace Hotel, onde fizeram algumas reuniões. Mason é professor da Universidade de Kingston, no Canadá.
Ele foi contratado pela Vale para fazer pesquisas de ouro da companhia nos Estados de Tocantins, Bahia e Paraná. Após analisar o material encontrado em Castro, a equipe viajou para Tocantins. O professor é especialista em mineração em rocha vulcânica sedimentar. Segundo levantamento da Minérios do Paraná S/A (Mineropar), a região de Castro é de origem vulcânica.
A passagem do grupo por Castro foi mantida em sigilo. Nem mesmo a prefeitura tomou conhecimento da presença dos pesquisadores. O vereador Carlos Eduardo Sanches (PMDB) soube do trabalho e tentou falar com os geólogos no hotel, mas eles não o atenderam. ‘‘Fomos até o hotel, mas eles não nos receberam’’, diz o vereador.
O trabalho de pesquisa da Vale se dá entre Castro e o município de Piraí do Sul. Eles fazem análise também de minas no distrito de Socavão e na localidade de São Tomé, próximo ao bairro Guaracema, onde há minas de extração de talco e calcário.

Equipe técnica
passou 2 dias
em Castro em
caráter sigiloso


A Vale está no município há um ano, através de sua subsidiária Docegeo. A Docegeo se interessou pela área com base num estudo da Mineropar. Técnicos da Mineropar fizeram um levantamento na região de Castro e constataram a presença de ouro.
A pesquisa de prospecção de ouro foi feita entre os anos de 1980 e 1982. O chefe do Núcleo de Geólogos e Fomento da Mineropar, Edir Edenir Arioli, confirma que o trabalho concluiu pela existência do minério no município. ‘‘Constatamos que a área tem potencial de ouro e prata, mas o material é muito fino’’.
Coordenador da pesquisa feita pela Mineropar, Arioli diz que o governo do Estado parou de investir em estudos para detectar ouro por falta de recursos. Ele afirma ainda que o ouro encontrado, por ser muito fino, exige uma técnica especial e cara de exploração. ‘‘O ouro é tão fino que não é possível enxergá-lo a olho nu’’, assegura. A Docegeo é especializada na extração do ouro fino. A empresa atua há vários anos na Bahia, onde o minério tem a mesma qualidade do encontrado em Castro.
Além da Vale do Rio Doce, a empresa canadense Placerdome mostrou interesse inicial pela extração de ouro na região. Mas depois voltou atrás, por achar que a área era muito pequena, já que a Vale detinha a concessão da maior parte das minas. A Mineropar tem cerca de mil hectares na região, mas não tem planos de explorar o minério.
A Placerdome concentra seu interesse agora na região de Campo Largo, onde também haveria a possibilidade de existência de ouro. A própria Mineropar admite, com base em levantamentos técnicos, que haja ouro em Campo Largo. Esses são os dois únicos municípios do Estado onde haveria reservas do mineral.

mockup