Como os mercados acionários subiram muito este ano (a Bolsa paulista avançou 68,01% até sexta-feira), a dúvida do investidor que não aplicou em ações é saber se ainda é tempo para entrar na Bolsa. Segundo especialistas, a resposta é positiva: continua valendo a pena apostar em ações, desde que se invista pensando no longo prazo.
‘‘Quem fica preocupado com o desempenho diário da Bolsa nem deve investir em ações’’, diz o diretor de Administração de Carteiras do Banco de Boston, Fábio de Oliveira. Mas, para quem se dispõe a aplicar por períodos mais amplos, ele recomenda o investimento em Bolsa, por meio dos fundos de ações.
O diretor de Investimentos do Banco Francês e Brasileiro (BFB), Alexandre Zakia Albert, avalia que, embora ocorra eventual recuo momentâneo das Bolsas, a tendência é de que, no longo prazo, as ações acumulem melhor rentabilidade que as aplicações de renda fixa.
O executivo André Pires de Oliveira Dias, da área de Mercado de Capitais do Banco BBA, também está otimista quanto às perspectivas das Bolsas, embora entenda que o investidor não deve esperar, para os próximos meses, a repetição da forte valorização do primeiro semestre.
O bom desempenho das Bolsas neste ano ocorreu principalmente em virtude da valorização das ações das estatais de telecomunicações, como Telebrás. A perspectiva de privatização do setor, além do reajuste tarifário, impulsionou os negócios com os papéis dessas empresas. Agora, existe a expectativa de que outras ações possam ter boa valorização. Oliveira, diretor do Boston, afirma que a grande dúvida do mercado é saber se outros papéis (e quais deles) conseguirão melhor desempenho daqui para a frente.
Outro motivo para a arrancada das Bolsas foi a queda nominal dos juros, iniciada em 1995. Por isso, muitos investidores passaram a transferir parte de seus recursos para a renda variável, com o objetivo de obter melhor rentabilidade com ações. Desse modo, o fluxo doméstico de recursos passou a dar sustentação aos mercados acionários, que ficaram menos dependentes do aporte de capitais estrangeiros.
O atual quadro político-econômico é favorável às Bolsas, lembra Zakia Albert. Segundo ele, a aceleração das privatizações, a aprovação da emenda da reeleição, o reajuste das tarifas das estatais e a queda dos juros devem continuar estimulando os mercados de ações.
Oliveira, do Boston, diz que o cenário externo também deve beneficiar os mercados de ações nos próximos meses. Ele acredita que os juros dos títulos norte-americanos de 30 anos tendem a recuar até o fim do ano. Com isso, fica reduzido o risco de uma fuga de dinheiro das Bolsas.
Na avaliação do diretor-executivo de Tesouraria do Banco BMC, Cassio von Gal, há perspectivas de ganho confortavelmente acima da inflação na renda fixa, além das previsões otimistas em relação ao mercado de ações.
Von Gal diz que o prêmio pago pelas aplicações de renda fixa deve continuar interessante. Segundo ele, para julho, o Banco Central não deve mexer no nível da TBC e da TBAN (piso e teto do juro), hoje de 1,58% e 1,78%, respectivamente. E como a partir de julho os índices inflacionários tendem a cair novamente, porque não devem mais refletir o aumento das tarifas públicas, a renda fixa vai oferecer ganho real relativamente amplo.

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