Vai ter crédito?
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quinta-feira, 17 de março de 2016
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Entidades ligadas ao agronegócio paranaense entregaram no início desta semana as propostas do setor agropecuário do Estado para o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2016/17, com anúncio previsto pelo Ministério da Agricultura (Mapa) entre a segunda quinzena de maio e o final de junho. Em meio à crise econômica e política instaurada no País, o setor já se organizou com uma série de demandas ligadas às políticas agrícolas que englobam basicamente o crédito rural, gestão de risco leia-se principalmente seguro rural e, em terceiro, o apoio à comercialização. O documento foi elaborado a partir de pesquisas realizadas pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), com os sindicatos rurais e produtores, Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), com a participação da Secretaria da Agricultura (Seab).
Dentre as principais preocupações neste momento está a que o governo não libere um montante ideal para crédito rural. A proposta das entidades é que o volume de recursos atinja a marca de R$ 225 bilhões para o financiamento de custeio, comercialização e investimento na safra 2016/17, sendo R$ 190 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 35 bilhões à agricultura familiar. Segundo o documento, isso é necessário devido à "inflação do agricultor", já que houve a elevação dos custos de produção, principalmente pelo impacto da alta do dólar, e a necessidade de expansão da área cultivada com uso mais intensivo de tecnologias de produção.
Coordenador do Departamento Técnico e Econômico (DTE) da Faep, Pedro Loyola salienta que até o ano passado houve recursos suficientes aos produtores, mas como boa parte do funding para fazer crédito rural vem do depósito à vista nos bancos que tem reduzido sistematicamente a entidade está atenta à liberação para a próxima safra. "Isso preocupa porque as pessoas não deixam mais o dinheiro parado na conta corrente. O depósito à vista está diminuindo. Outra fonte desses recursos é a poupança rural, mas não dá pra contar apenas com ela. O governo precisa ficar atento para não faltar recurso. É preciso acertar bem esse ponteiro para que não falte, principalmente, o valor para custeio no início da safra", diz Loyola.
JUROS
Em relação aos juros, as entidades também pediram a redução de 8,75% para 7,5% das linhas de crédito para investimento. No caso do Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA),o pedido é de retração de 7,5% para 6% ao ano, e no casos dos produtores enquadrados no Pronamp, para 3,5%. "O aumento dos juros para o agronegócio foi geral, já que acompanharam a taxa básica de juros da economia. É preciso lembrar que o investimento no agronegócio é a longo prazo, de 5 a 15 anos, então quando se assina um contrato é muito difícil alterar o que foi acordado. Em algumas linhas, a taxa quase dobrou. Nós acreditamos que é possível baixar um pouco e, no caso da armazenagem, ter uma diferenciação maior para atender o deficit que o País e o Estado têm neste setor", explica o economista.
Outro fator que aconteceu no ano passado e as entidades querem que não se repita é que com a falta de recursos as instituições financeiras particulares acabaram fazendo um mix de juros livres com os juros oficiais. "Juros livres, que variam de 15% a 21%, são impraticáveis para a agricultura nacional, que compete com outros países, principalmente com os Estados Unidos".


