Paulo Pegoraro
De Cascavel
A cotação da soja no mercado internacional, na faixa de US$ 9,50 a saca durante a semana, é superior a do ano passado, mas na conversão da moeda norteamericana para o real, acabam sendo reduzidos os ganhos dos produtores, considerado o custo de produção desta safra, e uma das consequências é sobrar pouco para investimentos nas propriedades ou em maquinário. A avaliação é do produtor Dilvo Grolli, que fala também na condição de presidente da Cooperativa Agropecuária Cascavel (Coopavel), à qual os associados devem entregar aproximadamente 4 milhões de sacas.
Na propriedade da família Grolli, a colheita está sendo feita em 600 hectares (ha), com queda de produtividade de 10% em relação ao ano passado. Dilvo Grolli observa que a remuneração aos produtores precisa ser necessariamente confrontada com o custo de produção, ‘‘e aí está o grande problema’’. Quando a safra foi plantada, os insumos – a maior parte deles com preços cotados pela moeda norteamericana, foram comprados quando a conversão estava na faixa de US$ 1,85 para cada real. Agora, quando os produtores vendem a soja, a conversão está na faixa pouco acima de US$ 1,70.
‘‘Fica claro que a agricultura não está deixando rentabilidade compatível’’, comenta Dilvo, acrescentando que ‘‘já que mexer no custo dos insumos ou na cotação do dólar não está nas suas mãos’’, o agricultor precisa aumentar a produtividade, e ao mesmo tempo forçar a redução de custos da produção, no que esteja ao seu alcance – preparo do solo, manutenção do maquinário. Adquirir máquinas novas, este ano, ‘‘é praticamente impossível, para a maioria’’, afirma – um trator custa em média R$ 40 mil, e uma colheitadeira R$ 150 mil.
Em todo o Oeste paranaense, serão aproximadamente 30 milhões de sacas, que, pela cotação interna, devem fazer girar acima de R$ 500 milhões. Em relação ao ano passado, a área da cultura subiu, passando de 745,8 mil ha para 753,6 mil, mas a produção será menor – 1,88 milhão de toneladas, e 2,2 milhões na safra anterior, o que se deve à falta de chuvas durante período prolongado. Os problemas climáticos fazem a produtividade cair de 2,99 mil quilos por ha (em 99) para 1,88 mil quilos. Os números variam muito, se limitados a microrregiões. Aproximadamente 15% das lavouras já estão colhidos.