Vai faltar milho no mercado e o Brasil terá problema para suprir o abastecimento. Na virada do ano, os estoques serão os mais baixos da história recente do milho: entre 1,5 milhão e 2 milhões de toneladas no máximo, somando o milho do governo e o pouco remanescente que está em mãos do setor privado. Por conta da redução da área de plantio e como haverá dificuldade para importar (redução das safras dos Estados Unidos, China e Argentina), os preços do milho podem explodir no começo do próximo ano, como ocorreu no final do ano passado.

É o que se conclui das explicações do engenheiro agrônomo André Pessôa, analista de mercado da Agroconsult, de São Paulo, e mestre em economia agrícola. Ele falou na última quarta-feira, na sede da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina, para cerca de 150 pessoas, a convite da Monsanto/Agroceres e Monsanto/Dekalb. No auditório estavam empresários da produção, agrônomos e economistas de cooperativas e empresas privadas. Nos últimos dias, Pessôa falou para 860 pessoas em Campo Mourão, Cascavel, Maringá, Dourados (MT) e Londrina.

Outras empresas de consultoria e órgãos oficiais confirmam o baixo estoque de milho e a projeção de que os preços devem subir acima do ritmo normal do mercado.

A área de plantio do milho deve cair 16% (300 mil hectares) nesta safra de verão. Em termos de Brasil a área cai entre 14% e 15% (cerca de 1,5 milhão de hectares). Em condições normais de clima em todas as regiões, a colheita chegará no máximo a 30 milhões de toneladas, muito baixa se comparada a da última safra, 35,5 milhões de t. O consumo de milho no Brasil este ano está estimado em 37 milhões de t.

Antes de apresentar essas conclusões, André Pessoa fez um histórico do comportamento dos preços nos últimos anos e detalhou cada etapa vivida pelo mercado nos últimos meses. Mostrou, com uma série de dados, a situação em cada região e nos países maiores produtores de milho como Estados Unidos, China e Argentina. Todos, aliás, estão reduzindo suas áreas, o que aponta para alta do produto no mercado internacional dificultando as importações, não apenas por razões cambiais.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) já conformou que os norte-americanos estão reduzindo sua produção de milho: devem colher entre 230 e 235 milhões de t, uma forte diferença em comparação com as 250 milhões de t do ano passado. A China, que colhia 120 milhões, reduziu sua produção para 105 milhões no ano passado e este ano está produzindo cerca de 100 milhões de t. E a Argentina não vai aumentar sua oferta de milho pois está aumentando a área de soja, a exemplo do que acontece no Brasil.

O preço do milho estará acima de 100 dólares/tonelada. Não vamos ter um câmbio favorável para importar milho; e o preço no mercado externo também não será nada favorável, segundo o técnico.

Além de tudo isso, o Brasil certamente vai querer exportar. As empresas que conquistaram esse mercado externo, tão difícil, vão querer mantê-lo. O Brasil exportou este ano, 4 milhões de t. Pessôa atribuiu isto à competência das cooperativas do Paraná, inicialmente. Já existe compromisso para exportar 800 mil t no próximo ano.

Para André Pessoa, as indústrias (do setor de integração, que absorvem 70% do mercado) demoraram muito para reagir ao quadro de desestímulo à produção. O pacto feito em Santa Catarina e depois no Paraná, para garantir preço ao produtor (R$ 10,00 a partir de janeiro) aconteceu muito tarde. Ele também apontou falha na política de abastecimento do governo que demorou muito para agir. Ao preço de R$ 10,00/saca, o governo não vai conseguir comprar milho pois o mercado estará pagando muito mais do que isto, bem antes do prazo previsto para o governo entrar em ação.

Os convidados para as palestras e debates são agricultores e agrônomos das revendas, segundo o engenheiro agrônomo Ronaldo Malachias, coordenador de Desenvovlmento de Mercado da Monsanto/Agroceres. A idéia é colocar informações que ajudem o produtor a planejar sua atividade.

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