‘‘O mercado interno sabe que vai faltar milho este ano’’. A afirmação é do presidente da Cooperativa Integrada, sediada em Londrina, Carlos Yoshio Murate, lembrando que os preços serão bons para quem produzir o grão.
Para Murate, a quebra nas safras do Rio Grande do Sul e Santa Catarina (provocada pela seca) e o aumento na produção de frangos e suínos devem forçar os preços para cima e ‘‘ralear’’ o produto no mercado nacional. ‘‘Isso não significa que deixaremos de exportar. No ano passado, o Brasil exportou 6 milhões de toneladas de milho. A previsão para este ano é a exportação de 2 milhões de toneladas’’, comentou Murate.
Ao contrário da megaprodução de soja no ano passado, que garantiu ao Brasil um excedente de 8,5 milhões de toneladas, o milho mantém oferta e procura bastante alinhadas. ‘‘Como manda o mercado, sempre há uma pequena retração no preço (da soja) depois de um ano tão bom. Felizmente, os produtores seguiram nossa sugestão e realizaram vendas antecipadas dos grãos’’, explicou o presidente da Integrada, enquanto apresentava os ótimos números conseguidos pelos cooperados.
Do total de grãos recebido pela cooperativa (713 mil toneladas), 251 mil foram de milho e 291 mil de soja, refletindo o crescimento registrado na produção nacional de grãos. ‘‘Os Estados Unidos temem nossa produção porque sabem que somos competitivos no exterior, mesmo sem subsídios do governo (como acontece nos EUA). Além disso, os americanos sabem que temos uma área de expansão muito grande no País e principalmente um bom mercado na Europa e Ásia’’, afirmou Murate, referindo-se à relutância de alguns países em consumir a soja transgênica, optando (e pagando melhor) pela produção brasileira.
Mesmo a produção brasileira estando em constante ascensão, pequenos e médios agricultores enfrentam dificuldades em um mercado cada vez mais competitivo. ‘‘Enquanto grandes produtores utilizam, por exemplo, a tecnologia do GPS (mapeamento via satélite) para melhorar a safra, os pequenos estão sofrendo para comprar tratores. O cooperativismo tem a obrigação de ajudá-los, conscientizando e oferecendo condições para que eles encontrem novas alternativas de produção em sua propriedade’’, salientou Murate.

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