Vagas formais na construção civil crescem quase 50% em 2025
Em Londrina, de janeiro a maio, 1.195 novos postos de trabalho foram criados; setor é o segundo que mais contrata no município
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de julho de 2025
Em Londrina, de janeiro a maio, 1.195 novos postos de trabalho foram criados; setor é o segundo que mais contrata no município
Simoni Saris 

O setor da construção civil em Londrina vem se destacando como um dos maiores geradores de postos de trabalho no município. De janeiro a maio de 2025, a construção civil abriu 1.195 novas vagas. O número só é menor do que a quantidade de ofertas de trabalho criadas pelo setor de serviços, que somaram 3.530 nos primeiros cinco meses do ano.
Os dados são do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Emprego, e mostram que o setor, apesar da ascensão dos juros no país, segue forte.
No acumulado do ano, até maio, o número de vagas abertas pela construção civil em Londrina supera em 46,98% o saldo de vagas abertas no mesmo período de 2024, quando 813 trabalhadores do setor tiveram a carteira de trabalho assinada.
Os dados de maio da construção civil apontados pelo Caged foram o maior do ano até agora, com 394 novas vagas, atrás apenas do setor de serviços, com 682 postos formais de trabalho. Proporcionalmente, no entanto, a construção civil foi o segmento que mais cresceu em Londrina (3,20%), seguido pela indústria (1,01%) e serviços (0,71%).
Na comparação com maio de 2024, quando foram geradas 209 vagas, o crescimento do setor neste ano foi de 88%.
A presidente do Sinduscon-Norte/PR (Sindicato da Construção Civil do Norte do Paraná), Célia Catussi, avalia que os resultados apresentados pelo Novo Caged refletem as vendas realizadas no lançamento dos projetos nos anos anteriores. Os lançamentos de 2023 e de 2024 passam pela fase de execução em 2025 e em 2026, aumentando a necessidade de trabalhadores. "A perspectiva é de que 2025 seja um ano positivo, até porque o Paraná dá sinais de que está crescendo, o desemprego está menor. O Estado tem um dos melhores desempenhos do país."
Quando analisados os dados de todo o Paraná, a construção civil também desponta como um dos maiores setores em empregabilidade. De janeiro a maio de 2025, foram contratados 1.965 trabalhadores, atrás apenas do setor de serviços, que empregou 2.688 profissionais.
A pujança do setor começa a deixar escassa a oferta de trabalhadores em toda a cadeia da construção civil. Em abril, o Sinduscon-Norte/PR realizou, em parceria com o Sine, a primeira edição do Dia D da Construção Civil, com o objetivo de contratar trabalhadores. O evento foi considerado um sucesso e uma segunda edição está marcada para o próximo dia 15 de julho. "A demanda por mão de obra qualificada continua alta. As empresas buscam trabalhadores para os canteiros de obras, mas também para a área de tecnologia, corretores de vendas, áreas administrativas, segurança do trabalho, TI (Tecnologia da Informação). São vários segmentos dentro da cadeia produtiva da construção civil, que é muito abrangente", disse Catussi.
Brasil
No Brasil, o balanço também é positivo. A construção civil no país ultrapassou, em maio de 2025, a marca de três milhões de trabalhadores formais. O setor registrou um total de 3.006.760 empregados contratados - alta de 0,56% na comparação com abril. O saldo, afirmou a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), consolida uma tendência positiva no mercado de trabalho da construção nos últimos meses.
O número de trabalhadores formais no setor, ressaltou a CBIC, se aproxima do recorde histórico registrado em outubro de 2013, quando havia 3.073.915 trabalhadores formalizados.
Nos últimos 12 meses encerrados em maio, o crescimento da construção civil foi de 3,40% no número de trabalhadores empregados. No período, foram criadas 98.734 novas vagas.
Entre os segmentos da construção, a construção de edifícios liderou a geração de empregos no acumulado do ano no país, com 59.726 novas vagas, seguida por serviços especializados para a construção (45.252) e obras de infraestrutura (44.255).
Alerta
Apesar dos indicadores positivos na geração de postos de trabalho, o resultado do último mês de maio apontou desaceleração no setor, movimento ainda não observado nem no Paraná e nem em Londrina. As 16.678 vagas abertas naquele mês foram o menor número do ano até o momento e representam uma queda de 47,24% ante abril, que terminou com 31.612 postos formais de trabalho.
No acumulado de 2025, de janeiro a maio, também houve redução no número de contratações pelo setor. Os 149.233 empregos gerados desde o início do ano correspondem a uma retração de 6,70% ante o mesmo período do ano passado, quando foram abertas 159.957 vagas.
O presidente da CBIC, Renato Correia, reconhece o crescimento sólido do setor na geração de vagas de trabalho, mas chama a atenção para a desaceleração demonstrada pelos indicadores em maio. “Pode refletir os desafios impostos pelo atual ambiente econômico, especialmente o impacto dos juros altos sobre os investimentos em obras e habitação”, avaliou Correia.
Para a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, disse que ainda é cedo para avaliar se a retração é pontual ou uma tendência do setor. “Mesmo com a redução no ritmo de contratações em maio, o setor continua com saldo positivo na geração de novos empregos em 2025 e mostra resiliência”, declarou.
Sobre a alta dos juros, a economista salientou que esse é hoje o maior problema enfrentado pelos empresários da construção civil e podem tornar-se um limitador do avanço desse mercado.
A preocupação do presidente da CBIC ainda não aflige o mercado londrinense da construção civil. Embora se observe dificuldades econômicas mesmo com o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) do país, Catussi salienta que Londrina está recebendo novas construturas e loteadoras, o que aponta para um bom momento do setor. "A gente ainda tem muito espaço para crescer e não só em Londrina. O Sinduscon representa mais de 80 cidades. Esperamos que esse movimento se estenda para todo o país", destacou.


