São Paulo - Se o País crescer 4% neste ano, a ocupação deve aumentar, no máximo, 3%, segundo o diretor da RC Consultores, Fábio Silveira. Ele lembra que, quando o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 5,7% em 2004, a ocupação avançou 3,3%. ''O crescimento da ocupação está sistematicamente abaixo do PIB.'' De um lado, diz o economista, esse desempenho mostra um lado positivo, isto é, há uma modernização da estrutura produtiva, com ganhos de eficiência. O problema é que o Brasil cresce pouco para absorver quem chega ao mercado de trabalho. Nas suas contas, se o PIB crescesse 6%, seria possível ampliar a ocupação entre 4% e 4,5%. ''Esta seria uma excelente taxa'', observa.
Mas, na avaliação de Silveira, uma ampliação mais acelerada do PIB e do emprego não deverá ocorrer porque há uma questão estrutural que impede que esse movimento ocorra. Não existe um modelo de crescimento voltado para ampliação do emprego. ''Ao Brasil coube um papel específico na economia mundial de grande fornecedor de commodities.'' Como fornecedor de commodities, as cadeias de produção são curtas e não empregam muita gente.
De acordo com economista, o descolamento entre o ritmo de crescimento da economia e do emprego tende a se agravar com aumento das importações. Em setores como calçados, eletroeletrônicos, autopeças, material plástico e metalurgia, intensivos em mão-de-obra, a perspectiva é de uma oferta modesta de empregos, com o aumento da produtividade para enfrentar a concorrência dos importados asiáticos.
O que tem impedido que o desempenho do emprego piore é o estímulo dado pelo governo à construção civil, um segmento intensivo em mão-de-obra, pondera Silveira. ''É preciso ter um plano de relançamento da indústria para crescermos mais rapidamente.'' Ele observa que, apesar de a participação dos serviços no PIB ser expressiva, o motor da economia continua sendo a indústria. ''A indústria está no mais completo abandono frente ao importados.''

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