Vacinas do Brasil chegam ao Paraguai
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quinta-feira, 07 de setembro de 2000
Mauri Köonig Agência Estado 
O Paraguai recebeu quarta-feira o primeiro lote com parte das quatro milhões de doses de vacinas contra febre aftosa que está importando do Brasil. Acuado por sucessivos embargos internacionais ao gado paraguaio, o governo do país pretende imunizar todo o rebanho nacional, estimado em cerca de 10 milhões de cabeças. O Brasil é um dos vários países que impôs barreiras sanitárias e suspendeu a importação de carne e gado paraguaio.
O Paraguai não produz vacina contra aftosa há seis anos, o que agrava ainda mais a situação. O Ministério da Agricultura em Foz do Iguaçu confirmou o despacho de um carregamento de um 1.015.000 vacinas da Bayer do Brasil, mas isso é suficiente para imunizar só 10% do total sob suspeita. A vacinação de todo o rebanho vai ocorrer mais por causa da pressão internacional, já que o governo não admite a existência da doença no país.
Pecuaristas de várias regiões do Paraguai preferiram não esperar a ação do governo e há pelo menos dois meses vêm imunizando o gado com vacinas contrabandeadas do Brasil. Segundo veterinários brasileiros da região mais próxima da fronteira, criadores de gado do país vizinho já teriam comprado ilegalmente mais de um milhão de doses no Paraná e Mato Grosso do Sul. Desse total, 300 mil teriam sido comercializadas apenas em Foz do Iguaçu.
O maior desafio do Paraguai vai ser conseguir outras seis milhões de doses da vacina contra aftosa além das quatro milhões que vai importar do Brasil para imunizar todo seu rebanho. O último caso da doença no país foi registrado em 1994 e, por displicência, o governo deixou de produzir a vacina. As suspeitas de uma possível contaminação do gado paraguaio foram levantadas pela Argentina, há pouco mais de um mês.
Embora tenha sido a autora da denúncia, a Argentina também se viu envolvida no escândalo. O Paraguai revidou às acusações alegando que o país vizinho estava subnotificando casos da doença. As suspeitas da existência de focos da febre aftosa na Argentina aumentaram depois que centenas de cabeças de gado foram sacrificadas na região próxima da fronteira com o Paraguai.
O resultado dessa troca de acusações foi a quase total suspensão das exportações do gado paraguaio e argentino. Para resguardar o rebanho nacional, o Brasil tem impedido a importação de gado vivo e morto procedente dos dois países. Barreiras sanitárias foram montadas ao longo da fronteira brasileira para conter tanto a entrada legal quanto o contrabando da carne paraguaia.


