Curitiba - Começa hoje oficialmente a primeira etapa da campanha de vacinação contra febre aftosa no Paraná, devendo ser encerrada no próximo dia 20. Nesse período haverá um esforço para vacinar 100% do rebanho do Estado, avaliado em 10,5 milhões de cabeças de bois e búfalos. A vacinação contra a febre aftosa é uma dos programas de sanidade que valorizou a pecuária bovina nos últimos anos, situação que está sustentando a elevação das cotações da carne bovina nos mercados externos e interno.
A campanha foi lançada ontem em Umuarama pelo vice-governador e secretário da Agricultura e do Abastecimento, Orlando Pessuti. A escolha da região noroeste foi emblemática porque concentra o maior rebanho bovino do Estado, com 1,38 milhão de cabeças em 14,8 mil propriedades. O município de Umuarama é o terceiro do Estado em população bovina, com 150.814 cabeças.
Para o diretor do Departamento de Fiscalização (Defis), da Secretaria de Estado da Agricultura, Felisberto Baptista, a preocupação agora é manter os investimentos para evitar o risco da reintrodução do vírus da doença. O Paraná está sem registro de aftosa há nove anos, mas manter o controle da situação através da vacinação é essencial para evitar novos casos.
Baptista lembrou aos pecuaristas que um descuido na vacinação de seus animais pode fazer com que o Paraná vivencie nova incidência da doença como ocorreu recentemente na Argentina, Uruguai e mesmo no Rio Grande do Sul. Ele lembrou que um recrudescimento da aftosa no Estado certamente vai provocar o cancelamento de contratos e depois é difícil conquistar o mercado novamente.
Baptista tranquilizou os produtores dizendo que a doença foi eliminada de forma clínica. ''Mas o risco do retorno sempre existe e é por isso que não podemos baixar a guarda'', insistiu. O diretor do Defis salientou que as regiões Sul, Centro-Sul e Centro-Oeste, que já conquistaram status de área livre de febre aftosa com vacinação pretendem se unir para que esse tipo de campanha avance firmemente para as regiões Norte e Nordeste, atingindo todo o País. ''Só dessa forma o País poderá reivindicar o reconhecimento de área livre de febre aftosa sem vacinação, o que representa a conquista de mercados mais remuneradores como Japão e Estados Unidos'', lembrou.
''Esse seria o estágio ideal para a pecuária brasileira. Mas não se pode esquecer que o País fez um esforço monumental e até maior que em outras áreas também importantes para avançar até conseguir a condição de ser exportador de carne'', disse Gustavo Fanaya, economista do Sindicato da Indústria de Carnes do Paraná (Sindicarnes).
Segundo Fanaya, não fosse o avanço nas condições de sanidade do rebanho, o pecuarista não estaria recebendo nem a metade do que está recebendo. ''Hoje a pecuária é uma atividade extremamente lucrativa por causa dos investimentos em sanidade'', enfatizou.

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