Vacina contra aftosa tem apenas 85% de eficácia
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de outubro de 2005
José Maria Tomazela<br> Agência Estado 
Eldorado - Apesar de ter média de cobertura acima de 99% nos últimos três anos de vacinação do seu rebanho bovino, o Estado de São Paulo não está livre de focos da febre aftosa. Isso porque gado vacinado também pode pegar a doença, segundo a médica veterinária Gisele Torres de Deus, gestora de Educação Sanitária da Agência Estadual de Sanidade Animal e Vegetal (Iagro) de Mato Grosso do Sul.
As vacinas usadas para imunização dos bovinos têm eficiência de apenas 85%. ''Não existe vacina com 100% de eficácia.'' Essa seria a razão pela qual alguns animais de fazendas com alta tecnologia, como a Vezozzo, em Eldorado (MS), apresentaram a doença. O índice de eficácia pode ser reduzido por fatores que vão da conservação à forma de aplicação da vacina.
Produzida a partir de vírus inativados, a vacina gera anticorpos no organismo do animal, tornando-o imune à doença. Mas o grau de imunização depende ainda das condições físicas do animal. Gisele acredita que a seca do ano passado teve influência nos focos surgidos este ano em MS, pois afetou pastagens e reduziu os produtos para silagem, prejudicando o estado nutricional do gado. A vacina vale por um período limitado que, no caso dos bovinos, varia de 90 dias (bezerro recém-nascido) até perto de 12 meses.
Esse quadro justifica um rigoroso bloqueio dos focos, incluindo o abate dos animais doentes e também os sadios. Estes se tornam depositários do vírus e, em trânsito, passam a propagar a doença. Nas palestras em escolas e comunidades rurais, Gisele esclarece aspectos da aftosa.


