Vaca louca deve aquecer o mercado da soja
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terça-feira, 06 de janeiro de 2004
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
O surgimento de um caso da doença da vaca louca nos Estados Unidos deve contribuir para que 2004 seja mais um ano de bons preços para a soja. Como a síndrome decorre da utilização de farelo de origem animal na alimentação do gado, é possível que os pecuaristas norte americanos substituam o alimento pelo farelo de soja, aumentando a demanda pelo produto. A opinião é de Seneri Paludo, analista de mercado da Agência Rural, em Curitiba.
''O ano começa com boas perspectivas'', avaliou, lembrando que a conjuntura do mercado internacional, no segundo semestre de 2003, já era favorável à cultura. A safra norte-americana passada, inicialmente estimada em 80 milhões de toneladas, resultou em 66,7 milhões de toneladas. O fato, aliado ao provável crescimento da demanda decorrente do medo da vaca louca, pode levar os estoques americanos aos menores patamares da história.
A China, por outro lado, consumiu 21 milhões de toneladas durante a safra 2002/2003, o que corresponde a cinco milhões de toneladas a mais que a estimativa inicial. ''O consumo aumentou e a produção norte-americana diminuiu. Foi nesse contexto que começaram os ganhos de preço'', afirmou.
Na Bolsa de Chicago, os contratos com vencimento para março de 2004 foram negociados, ontem, por US$ 17,00 a saca. No mesmo período do ano passado, a cotação fechou em US$ 11,55, o que indica valorização de 47%. ''São os melhores preços internacionais desde 1997.''
Problemas nas safras do Brasil e da Argentina, que serão os principais responsáveis pela oferta de soja no primeiro semestre de 2004, também podem trazer novos ganhos de preço. ''Hoje, todas as atenções do mercado se voltam para as lavouras sul-americanas'', disse.
O engenheiro agrônomo Otmar Hubner, técnico do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab), concorda que o surgimento da doença da vaca louca nos EUA vai favorecer as exportações brasileiras de soja. ''Como medida de prevenção, o farelo animal será substituído'', afirmou, acrescentando que, além dos Estados Unidos, o consumo da ração vegetal deve aumentar em outros países que utilizam o farelo de origem animal na alimentação do gado.
Ele informou, também, que a safra que começa a ser colhida em meados de fevereiro, no Paraná, promete ser boa. ''O clima tem sido favorável'', comentou. O Estado, que cultivou 3,9 milhões de hectares, deve colher 11,8 milhões de toneladas em 2004. O crescimento é de 8% com relação à produção do ano passado. No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a safra será de 58,7 milhões de toneladas, volume 12,8% maior que os 52 milhões de toneladas obtidos em 2003.


