Usuário vai escolher operadora de DDD
Brasileiro vai discar três algarismos antes do código de área nos interurbanos para optar pela empresa com melhor tarifa e serviço
Agência Estado
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) divulgou ontem uma proposta de regulamento para a numeração dos telefones que vai permitir ao usuário escolher a empresa que realizará a chamada interurbana, interestadual ou internacional. Hoje em dia, ao discar o zero e o código de área, o assinante já conecta automaticamente a Embratel, a estatal que tem o monópolio do serviço de longa distância (DDD) no País. Com as novas regras de numeração, o brasileiro vai discar três algarismos antes do código de área para escolher a operadora que oferecer melhores tarifas e serviços.
A Anatel está propondo ainda que, a partir do ano 2000, todos os telefones do País tenham oito dígitos, o que valerá também para o celular. Nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais as empresas de telefonia celular terão até novembro deste ano para adotar os números de oito dígitos. A BCP vai iniciar as operações em São Paulo antecipando essas regras.
Se o regulamento de numeração for adotado na íntegra, o usuário que quiser fazer uma ligação entre São Paulo e Rio, por exemplo, terá que discar 14 algarismos. Os códigos de área (11 para São Paulo, 21 para o Rio etc.) serão mantidos. O documento da Anatel está sujeito a comentários até dia 22 deste mês.
O novo modelo de competição desenhado para o setor de telefonia prevê que o assinante poderá escolher entre duas empresas prestadoras de serviços de longa distância já a partir do próximo ano, com a privatização da Embratel e a autorização de uma empresa para fazer concorrência. A partir de 2002, o usuário terá quatro opções: as duas de longa distância e as duas companhias de telefonia fixa da sua região.
Os códigos de acesso às empresas de longa distância, de três dígitos, serão sorteados pela Anatel em data ainda não definida. A disputa em torno desses números pode ser intensa, como admitiu o conselheiro da Anatel Francisco Perrone.
Já estão descartados números iniciando em 0 ou 1, reservados para serviços especiais. A facilidade em decorar os códigos de acesso - como 222 - pode representar uma importante vantagem competitiva nas campanhas de marketing, que serão necessárias para instruir os clientes sobre a mudança de hábitos.
O ingresso da iniciativa privada na telefonia vai trazer também a novidade do número ‘‘portátil’’, que o usuário poderá manter mesmo mudando de bairro ou de prestadora na mesma cidade. O regulamento de numeração da Anatel estabelece que as empresas terão até 31 de dezembro do ano 2000 para adaptar a rede à portabilidade dos números.
Cerca de 10% de toda a rede telefônica nacional, que pode chegar aos 100 milhões de linhas com a nova numeração de oito dígitos, poderão ser ‘‘portáteis’’. O usuário terá que solicitar à sua empresa esse serviço, que será cobrado adicionalmente. Segundo Perrone, o preço será homologado, mas não será regulado.

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