Agência Folha
De São Paulo
Os sete milhões de usuários de celulares pré-pagos do país devem receber até o final deste ano uma ‘‘carta de alforria’’ de suas operadoras e poderão fazer chamadas de fora de seu município.
Desde o lançamento desse tipo de serviço, em março de 98, as operadoras brasileiras resolveram criar uma espécie de censura para os clientes. Proibiram o roaming – tecnologia que permite o funcionamento do celular fora do município onde foi habilitado – para a realização de chamadas.
Era uma estratégia que visava garantir as vendas dos celulares pós-pagos, que têm roaming nacional e nos quais incide uma mensalidade média em torno de R$ 40,00 – o que gerava uma boa receita para as empresas. Já no pré-pago, não há taxa desse tipo.
O diretor comercial da CTBC Telecom, Lauro Martins Júnior, no entanto, disse que a estratégia começa a ser revista. ‘‘O que as operadoras querem mesmo é que os clientes falem mais nos celulares. Para tanto negociam a liberação das ligações intermunicipais também para os pré-pagos’’, explicou. A empresa, de Uberlândia, foi a primeira a lançar celulares pré-pagos, em março de 98. Os entendimentos para a mudança de estratégia das operadoras passam pelo âmbito da Associação das Operadoras de Celulares do Brasil (Acel).
Atualmente algumas operadoras permitem que sua clientela de pré-pagos apenas receba ligações interurbanas. Isso porque a receita de chamadas efetuadas fora do município-sede teria de ser divida entre as duas operadoras que intermediaram as ligações. Martins Júnior declarou, no entanto, que há interesse na liberação total do roaming para que haja um crescimento generalizado de chamadas e consequentemente do faturamento das companhias.
Para que isso aconteça, é preciso haver mudanças tecnológicas. As operadoras trabalham com a perspectiva de que o celular pré-pago poderá até representar no futuro o dobro de usuários de pós-pago, como ocorre atualmente em Portugal e na Itália.
Mesmo assim, o sistema pré-pago já é um sucesso no país. Responde por 60% dos 12 milhões de usuários de celulares. ‘‘A maioria desses clientes é jovem e gasta pouco. Faz uma ligação para cada quatro que recebe’’, informa Martins Júnior. Esse quadro poderia ser invertido, segundo ele, com o
barateamento das ligações, por meio de promoções.
Hoje, o minuto da ligação local com um pré-pago custa em média R$ 1,00 contra R$ 0,40 cobrados nos pós-pagos.

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