Os associados da Golden Cross - um dos maiores convênios médicos do País - estão passando por um momento difícil. Além das notícias de que a empresa atravessa uma crise financeira e estaria prestes a ser comprada ou então a associar-se com um banco ou seguradora, em alguns Estados, como no Rio de Janeiro e Bahia, os conveniados estão tendo de pagar do próprio bolso as consultas.
Isso tem feito com que muitos clientes estejam pensando em trocar de plano de saúde. Mas advogados e especialistas em defesa do consumidor alertam que, independentemente de o associado ser da Golden Cross ou não, migrar para outro convênio é contra-indicado, principalmente se for de forma precipitada.
Uma das razões é que, ao ingressar em outro plano, existe a possibilidade de o interessado precisar cumprir novas carências. Com isso, ele corre o risco de ficar sem atendimento médico justamente quando houver mais necessidade. Tal situação pode ser contornada se for escolhido um convênio que ‘‘compre’’ carências de outro plano, mas é necessário tomar alguns cuidados.
O advogado especializado em seguro Antonio Penteado Mendonça destaca que é importante pedir referências e saber como é a rede credenciada. ‘‘De nada adianta entrar com carência zero em um plano de saúde que conta com poucos médicos, laboratórios e hospitais credenciados’’, diz.
Outro obstáculo para quem pretende mudar de plano é que, geralmente, as empresas não cobrem doenças preexistentes, argumenta o diretor-geral do Procon da Bahia, Archimedes Pedreira Franco. ‘‘Quem desenvolveu alguma doença enquanto pagava um plano e quer mudar para outro poderá ficar sem cobertura’’, avalia.
Esses problemas têm seus efeitos ampliados quando o associado tem mais de 60 anos. Nessa faixa etária o preço de um plano é mais salgado, e poucas empresas aceitam novos associados com mais de 60 anos.
Independentemente da solução que será encontrada para que a Golden Cross supere as dificuldades que enfrenta, a opinião corrente no mercado é de que os associados não serão prejudicados. Convictos de que a saúde financeira do convênio está abalada e uma possível quebra da empresa será altamente prejudicial para o setor, os profissionais da área acreditam que o problema tende a ser resolvido rapidamente.
As apostas são de que, muito provavelmente, será adotada uma fórmula semelhante à que vem sendo utilizada no caso de bancos em dificuldades, ou seja, a Golden Cross acabará sendo comprada por outra empresa e a situação dos conveniados permanecerá inalterada.
Por isso, especialistas argumentam que não vale a pena trocar de plano neste momento. ‘‘É indicado aguardar pelo menos 90 dias, pois se sair hoje o associado pode fazer um mau negócio’’, diz o advogado especializado em seguro Antonio Penteado Mendonça.
Outra razão para esperar um pouco é que, no caso de a empresa quebrar, muitos convênios médicos terão interesse em conquistar parte dos 2,5 milhões de associados que a Golden tem atualmente e, para tanto, deverão oferecer condições mais vantajosas, como carências reduzidas.
Quanto aos conveniados que estão encontrando dificuldades para utilizar os serviços da rede credenciada, o caminho é procurar auxílio das entidades de defesa do consumidor, como o Procon.

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