USP vê empobrecimento da agricultura familiar
Guto Rocha
A agricultura familiar, responsável pela produção de alimentos para o consumo interno, foi a mais penalizada pelo Plano Real. Segundo o coordenador técnico e de Economia da Federação dos Trabalhadores na Agricultur do Paraná, Sérgio Aguilar Gutierrez, um estudo realizado pela Universidade de Campinas (Unicamp) entre 1995 e 1997, apontou um queda de 2,1% na renda dos produtores, que dependem exclusivamente dos integrantes da família.
Segundo Gutierrez, a renda per capita nesta categoria de produtores, caiu dos R$ 78,30 em 1995 para R$ 75,08 em 97. O mais grave é que estes produtores representam a maior parte das famílias agricultoras do País, comentou, observando que de cada quatro famílias no campo, três se encaixam nesta situação. São 2,603 milhões de famílias no Brasil, e cerca de 300 mil no Paraná, disse.
O técnico da Fetaep afirmou que uma das principais causas que provocaram o empobrecimento das famílias agricultoras foi o escancaramento do mercado brasileiro aos produtos importados. Ele observou que no caso desta categoria de produtores, a abertura do mercado para o algodão importado foi desastrosa. No início dos anos 90 o Paraná tinha uma área de 750 mil hectares com algodão, na última safra foram cultivados menos de 50 ha com a fibra. Isso provocou o desemprego de mais de 200 mil pessoas no Estado, afirmou Gutierrez.
Ele observou que nestes anos de Plano Real a balança comercial agrícola foi superavitária. O técnico chamou a atenção para o fato de os agricultores familiares produzirem basicamente produto de consumo interno, não se beneficiando dos resultados das exportações. Gutierrez disse que a pesquisa da Unicamp demonstrou que a renda das famílias que contam com mais de dois funcionários na propriedade teve um salto de 17,7%, passando dos R$ 941,54 em 1995, para R$ 1.304,76 em 97.
A pesquisa, segundo Gutierrez, apontou ainda que a renda dos agricultores familiares foi mais prejudicada do que a dos empregados em propriedades rurais. A renda desta categoria de trabalhadores teve uma queda de 0,9%, passando de R$ 64,77 para R$ 63,66.
Um ponto positivo apontado pelo economista da Fetaep durante o Plano Real foi a criação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Gutierrez afirmou que o Pronaf amenizou o problema de empobrecimento, mas não conseguiu evitar os problemas provocados pela abertura do mercado. O economista observou que o volume de recursos aportados no Paraná em 95 pelo Pronaf foi de R$ 8,9 milhões e atendeu 3.090 famílias, e até outubro do ano passado o programa atendeu 56,4 mil famílias com R$ 113 milhões.
Gutierrez afirmou no entanto que estes recursos foram aplicados basicamente no custeio das lavouras. O volume destinado para o investimento ainda muito pouco. E é justamente este tipo de financiamento que possibilita a criação de infra-estrutura na propriedade rural para manter o homem no campo, comentou.





