Uso terapêutico da soja é novo nicho de mercado
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quinta-feira, 28 de junho de 2001
De londrina 
O cultivo de soja para consumo humano deve ser a grande alternativa para os pequenos produtores. Este mercado tende a crescer cada vez mais tanto em países produtores como em países consumidores. A perspectiva, portanto, é das melhores.
A previsão é do operador de mercado internacional da Pacific Soybean & Grain, Leon Klein, que proferiu palestra sobre Como e por que agregar valor à produção, durante o útimo dia do fórum Valorização da Produção de Grãos no Mercosul.
Para Klein, com as comprovações das propriedades preventivas ao câncer, osteoporose e outras doenças em algumas substâncias que compõem a soja, o consumo de produtos à base de soja na alimentação humana deve crescer 300% nos próximos cinco anos.
Para o produtor que quiser se adaptar a esse novo nicho de mercado, Klein sugere a produção da soja orgânica certificada por um órgão reconhecido ou o cultivo da forma convencional, mas destinado ao consumo humano. Nesse caso, o mercado exige um grão diferenciado, de tamanho maior, formato diferente e que deve receber um tratamento mais criterioso no pós-colheita para ser mais limpo, sendo inclusive exportado em conteineres, e não em navios graneleiros, ressaltou.
No caso da soja orgânica, Klein afirmou que os produtores conseguem até o dobro da cotação do produto convencional, com negócios até US$ 600,00 a tonelada. No mundo são produzidas 120 mil toneladas de soja orgância, com produção brasileira de 15 mil toneladas/ano. Os maiores produtores são Estados Unidos, China, Argentina, Brasil e Canadá.
No caso da soja convencional, mas destinada à alimentação humana, Klein afirmou que este produto diferenciado não tem conseguido valor agregado pelo fato do Brasil produzir soja não-transgência. Talvez, se o Brasil passar a cultivar a soja transgênica, se abram duas frentes de mercado, e quem produzir a soja não transgênica poderá obter um preço diferenciado como premiação, comentou Klein.
Uma das sugestões para conseguir um preço melhor, seria o produtor oferecer, na propriedade, o tratamento adequado exigido pelo mercado, como estrutura para secagem e armazenamento.
Em sua palestra, Klein apresentou uma série de produtos à base de soja, como pães e sorvetes, que estão sendo comercializado nos EUA, Europa e países asiáticos. No caso do Brasil, Klein considerou que deve demorar o processo de industrialização da soja. Ainda não existe uma cultura que incentive esse tipo de consumo, pois a alimentação brasileira está muito vinculada ao arroz com feijão, concluiu.


