USO INDISCRIMINADO - Apesar de cobrar taxa, Crea não fiscaliza uso de agrotóxico
O aumento do uso indiscriminado de agrotóxicos nas lavouras do Paraná, além da ameaça à saúde dos consumidores, representa um retrocesso tecnológico para o Estado que, 20 anos atrás, saiu na frente na adoção de métodos que reduziram o emprego do veneno, com vantagens para o ambiente e economia ao produtor. O abandono das boas técnicas não ocorre por acaso. Um dos motivos é debitado ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Paraná (Crea-PR). Depoimentos de técnicos, comerciantes, agricultores e fontes oficiais apontam para um relaxamento nos critérios de recomendação do agrotóxico. O Crea-PR admite que a fiscalização não é eficaz. A aplicação de agrotóxico passou a render cerca de R$ 2,4 milhões por ano aos cofres do Crea-PR. O valor arrecadado não é revertido em fiscalização ou ações de benefícios ambientais. Desde meados de 2005, as lavouras do Paraná deixaram de ser fiscalizadas pelos profissionais do Crea. A entidade recolhe uma taxa denominada Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), que é assinada pelo engenheiro agrônomo filiado ao conselho. O próprio Crea-PR estima que cerca de 160 profissionais estão assinando receitas sem a prévia visita à propriedade onde o veneno será aplicado. Setores agrícolas avaliam que a prática seja generalizada em todo Estado.
Podem ser definidos como quaisquer produtos de natureza biológica, física ou química que têm a finalidade de exterminar pragas ou doenças que ataquem as culturas agrícolas. Os agrotóxicos podem ser: pesticidas (combate insetos em geral), fungicidas (fungos) e herbicidas (que matam as plantas
invasoras ou daninhas)
O Crea-PR tem por finalidades principais a fiscalização, o controle, a orientação e o aprimoramento do exercício das atividades profissionais da engenharia, arquitetura, agronomia, geologia, geografia e meteorologia. O conselho se faz presente nas principais cidades do Estado, onde estão as Regionais de Curitiba, Cascavel, Londrina, Maringá, Pato Branco e
Ponta Grossa, e em 31 inspetorias, o que agiliza a prestação de serviços aos profissionais e empresas do Sistema Confea/Creas
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