Uso inadequado da rotação de culturas
Entre os manejos feitos de maneira inadequada está até mesmo um dos mais tradicionais nos campos brasileiros: a rotação de culturas. ''O que vemos hoje é uma sucessão de cultura e não uma rotação. Aqui mesmo no Paraná temos uma sequência de soja, milho safrinha e novamente soja. Isso também prejudica o controle de pragas'', explica a pesquisadora Claudine Dinali Santos Seixas, da área de fitopatologia (que estuda a doença das plantas) da Embrapa, citando a ferrugem da soja como principal exemplo dos resultados negativos da aplicação descontrolada de defensivos. ''Onde antes era praticamente zero o uso de fungicida, hoje temos uma média (nacional) de 2,4 aplicações. Um dos motivos é que defensivos fortes têm destruído os inimigos naturais da Ferrugem'', diz Claudine.
A sugestão dos pesquisadores da Embrapa é incentivar o agricultor a fazer monitoramento e controle pontual por meio de sistemas baratos e já conhecidos. Um deles é o pano de batida, aquele em que o técnico estende um tecido branco sob a lavoura formada. ''Verificar se há dois percevejos ou 20 lagartas por metro linear é uma ação eficiente para decidir quando aplicar o inseticida. O resultado é significativo'', exemplifica Bueno.
Questionado sobre a viabilidade deste processo no cultivo extensivo de soja em fazendas com mais de mil hectares de lavoura, o pesquisador afirma que os custos de operação são viáveis porque são baratos. ''O manejo ideal é um pano batido por hectare, mas é possível definir talhões maiores e usar a mão de obra que já está na própria fazenda. A questão aqui é que não podemos afundar ainda mais no fundo do poço e piorar a média de 1970'', alerta.
Em meio a tantos problemas e preocupações, os técnicos ressaltam que os avanços conquistados nos 35 anos mostram que a Embrapa ainda vai participar da vida dos agricultores durante muitas décadas. ''Hoje nós geramos mais tecnologia e informação do que efetivamente são adotadas no campo. Isso mostra que trabalhamos com a antecipação de problemas'', disse Gazziero. ''Nós atuamos em dois braços: a demanda do agora e a pesquisa a médio e longo prazo. Precisamos trabalhar sempre com previsões'', avalia Bueno.
Já para Claudine Seixas, aquilo que resulta em prática cotidiana é a principal recompensa dos pesquisadores. ''São louváveis as pesquisas que influenciam as políticas públicas e acabam adotadas pelo produtor rural, como rotação de cultura, plantio direto e o vazio sanitário, por exemplo. É o reconhecimento máximo do nosso trabalho'', concluiu a pesquisadora. (E.D.)





