Se o País tivesse adotado o despacho de energia termelétrica com custo menor desde 2010, teria sido possível economizar água e depender menos desse tipo de fonte hoje. A opinião é do consultor Roberto D’Araújo, diretor da organização não governamental (ONG) Ilumina – Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético.
Ele considera que o custo teria sido um pouco maior antes, mas que o setor não estaria tão pressionado atualmente porque o "plano B" não teria ficado parado até hoje, como ocorreu. "A lição que temos de tirar de 2014 é que o critério de operação do sistema precisa mudar e que teremos de usar as térmicas mais cedo", diz D’Araújo.
Para o consultor, porém, a solução também depende da reformulação da metodologia do cálculo de garantia física de usinas e de preços. "Somos contrários a se definir valor fixo para usina em cálculos em escritórios, porque essa definição de valor foi há mais de dez anos."
O rio São Francisco está com afluência decrescente nos últimos 15 anos, diz, sobre o rio que nasce em Minas Gerais e passa por mais quatro estados do Nordeste. "Qual o sentido de se usar um histórico anterior a esse período se no atual está decrescente?", questiona D’Araújo.
Ele também lembra o fato de as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) terem sido deixadas de lado, porque a usina a fio de água funciona como uma nova captação de afluências, que poderiam aliviar baixas vazões e servir para garantir a distribuição em horários de alta demanda, porque ficam próximas aos centros de alta carga. "Nos últimos anos, só se produziu usinas grandes e as pequenas foram abandonadas. Será que só se interessam por grandes obras?"

Alento no médio prazo
O presidente da Associação Brasileira de Fomento a Pequenas Centrais Hidroelétricas (ABRAPCH), Ivo Pugnaloni, afirma que estruturas do tipo podem ser construídas em no mínimo 18 meses e com consumo de equipamentos nacionais. "Cidades como Londrina têm várias empresas que poderiam construir PCHs e, só no Paraná, são três fábricas de turbinas e três de geradores", cita, ao lembrar que seria um incentivo ao investimento privado em infraestrutura. (F.G.)

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