Uso de motor flexível no País pode atrasar
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de novembro de 2002
Agência Estado 
Rio Prometidos para o mercado para até o fim de 2003, os carros com motores flexíveis que podem ser movidos a álcool ou gasolina ou ainda com os dois juntos podem atrasar sua estréia no País, apesar de a tecnologia já ser dominada pelas fornecedoras de módulos eletrônicos para as montadoras. Os motivos são a credibilidade do setor alcooleiro, a redução da diferença entre o preço dos dois combustíveis e a falta de uma sinalização do governo sobre possíveis incentivos fiscais para a produção do modelo chamado de ''flex fuel''.
As montadoras preferem esperar porque avaliam que o público consumidor ainda guarda na memória as longas filas enfrentadas na época de falta de álcool no início da década de 90. ''A credibilidade do setor alcooleiro ainda é negativa. As indústrias querem a certeza de que, se colocarem esta tecnologia no mercado, ela terá procura e isso só vai ocorrer se o consumidor enxergar alguma vantagem em ter um carro que possa ser movido, ora com álcool, ora com gasolina'', explica o gerente de Tecnologia de Produto da Volkswagen e especialista em motor flex fuel da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Henry Joseph Júnior.
Segundo ele, atualmente as quatro principais montadoras do País que produzem carros a álcool têm condições de desenvolver o modelo. A Fiat e a GM prometeram para o final do próximo ano e a Ford chegou a lançar um modelo piloto, sem previsão de produção em escala comercial.
Na opinião do especialista, o atraso no lançamento é um reflexo direto do aumento no preço do álcool hidratado (colocado diretamente no tanque do carro) nas últimas semanas. Isso, consequentemente, reduziu a margem de diferença entre o combustível vindo da cana-de-açúcar e a gasolina. ''Para o consumidor comum, ter a opção de utilizar a gasolina ou o álcool é justificada principalmente se houver uma grande diferença de preço entre os dois combustíveis'', explica Joseph Júnior, lembrando que o consumo maior de álcool num veículo permite que o seu preço atinja, no máximo, 75% do preço final cobrado pelo litro da gasolina.
''O mercado vivenciou mais de um ano em que o preço do álcool foi de apenas 55% da gasolina e, mesmo assim, a margem de carros movidos a álcool ficou nos 3% da frota total existente no País. Não dá para saber qual seria a margem ideal para atrair o consumidor'', opina.
Segundo dados da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), entre 1995 e 1998, as vendas de carro a álcool representaram 0,01% do total de veículos vendidos no País, mas há sinais de recuperação neste ano. Até outubro, as vendas atingiram 42 mil veículos, ante 18 mil em 2001 e 10 mil em 2000. Em 2002, as vendas somam 3,9% do total, ante 1,5% em 2001.


