Uso de fertilizantes será recorde no ano
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terça-feira, 02 de outubro de 2007
Fabíola Salani<br>Folhapress 
São Paulo- Prevista para bater recorde, a safra de grãos deste ano, associada à explosão na cultura da cana-de-açúcar, deve gerar outro recorde: a venda de fertilizantes, que a indústria prevê chegar a 24 milhões de toneladas, acima dos 22,8 milhões obtidos em 2004, último ano considerado bom para o agronegócio brasileiro.
E o recorde deve ser batido a despeito de os preços terem disparado: estudo da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostra que há alguns insumos cujo valor subiu mais de 40% neste ano, caso do sulfato de amônia.
A demanda internacional explica o aumento do preço. ''China e Índia, por uma questão de segurança alimentar, estão comprando e plantando mais. E os Estados Unidos devem passar de exportadores para importadores de fertilizantes'', afirmou Eduardo Daher, diretor-executivo da Anda (Associação Nacional para Difusão de Adubos).
Asdrúbal de Carvalho Jacobina, gerente de custos de produção da Conab, afirma que o produtor deve usar mais fertilizantes nesta safra porque está mais capitalizado. ''Eles vão usar o pacote tecnológico recomendado, que é a quantidade de fertilizantes correta, máquinas novas, correção do solo com o uso de calcário.''
E, para Jacobina, esse bom momento vai resultar num círculo virtuoso: ao usar os recursos agronômicos disponíveis, o agricultor verá sua produtividade crescer nesta safra.
Mas há quem alerte para excessos. Gedi Sfredo, pesquisador da Embrapa Soja, diz que é necessário avaliar a quantidade de nutrientes do solo, pois há casos em que o agricultor coloca adubo demais, esperando elevar a produtividade, e o resultado pode não ser significativo.
Daher afirma que um aumento da produção nacional de fertilizantes para acompanhar o crescimento da demanda de janeiro para cá depende de investimentos que só vão ter efeito em cinco a sete anos. Por isso, a elevação da oferta está se dando muito mais pela importação.
Enquanto a produção nacional cresceu 12% de janeiro a agosto deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, as importações de fertilizantes subiram 59,4% em igual base de comparação. No total, a entrega ao consumidor final aumentou 44,8% nos oito primeiros meses deste ano.


