São Paulo - Mesmo com todo o discurso do governo federal a favor da inclusão digital - ou seja, do acesso da população às tecnologias da informação -, as estatísticas mostram que a desigualdade social e a má distribuição de renda refletem-se diretamente no uso da internet. Segundo números do Ibope Mídia, o Brasil é o país latino-americano com a maior diferença de acesso à internet entre ricos e pobres. ''A exclusão digital é a faceta tecnológica da exclusão social'', disse Marcelo Coutinho, diretor de Marketing do Ibope/NetRatings, que participou ontem da Telexpo, que termina hoje em São Paulo.
''Quando se pensa na urgência da inclusão digital, vemos que estamos perdendo o bonde.'' A capacidade de usar computadores hoje é essencial. ''As pessoas não conseguem mais serem frentistas ou caixas de supermercado sem algumas habilidades básicas'', disse Ivan Moura Campos, presidente da Akwan e um dos pioneiros da internet brasileira.
Comparando oito países, o Brasil ficou em segundo lugar entre os que têm uma parcela maior entre os 10% mais ricos que usam a rede mundial, com 82% de acesso, depois do Peru (85%). Acontece que são os peruanos de classe baixa, entre os 40% mais pobres, os que mais acessam a internet na região, com 38% de inclusão. Quando se olha a camada mais pobre, os brasileiros ficam em último lugar, com 10% de acesso, empatados com o México. Mas, diferentemente dos brasileiros, os mexicanos mais ricos também acessam pouco a rede mundial, com 58%.
Um dos motivos é o preço do computador. Coutinho comparou o valor de um micro básico em quatro países latino-americanos e o Brasil tem a máquina mais cara.

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