GUERRA DE PREÇOS Usineiros querem reajuste para o álcool Associação reclama que a alta do produto na bomba não está sendo repassada ao setor produtivo. Último aumento foi em janeiro Vânia Casado De Curitiba A polêmica sobre a alta no preço do álcool na bomba está prejudicando o setor produtivo, que não reajustou os seus preços. Pelo contrário, o combustível está sendo ofertado às distribuidoras entre R$ 0,45 e R$ 0,46 o litro desde meados de janeiro, bem antes do aumento no preço da gasolina, afirmou Anisio Tormena, presidente da Associação Paranaense de Produtores de Álcool do Paraná. Tormena atribui essa alta no preço do álcool a uma guerra de preços entre as distribuidoras e postos de combustível, na qual o preço do produto está oscilando entre R$ 0,65 a R$ 0,90 o litro na bomba. O último reajuste no preço do álcool promovido pelos usineiros foi em janeiro, quando o combustível passou de R$ 0,41 a R$ 0,45 o litro. Tormena avisa que esse ano o cenário para o álcool está totalmente diferente do que foi o ano passado, quando a safra foi boa e havia excedentes de combustível no mercado em poder das usinas. Agora, quase a totalidade do estoque de álcool no país, cerca de um bilhão de litros que corresponde a um mês de consumo, está nas mãos da Brasilálcool, uma empresa criada pelos usineiros exatamente para enxugar e comercializar o combustível com as distribuidoras. ‘‘Foi essa organização que ajudou a superar a crise vivida no ano passado, quando os preços do álcool chegaram a cair até R$ 0,19 o litro, abaixo do custo de produção’’, destacou. Além dos estoques da Brasilálcool, a Petrobrás ainda tem um estoque de 600 milhões a 700 milhões de litros, que estão sendo desovados nos leilões do governo. O volume total de estoques não demonstra que há excesso de produto no mercado, afirma Tormena, mas os usineiros temem uma queda nos preços no período da colheita da cana, que começa a partir de 20 de abril. Mesmo com a previsão de quebra na safra 2.000, a possibilidade de queda nos preços recebidos pelas usinas existe, admite. Ele salienta que dessa vez a negociação não será fácil para as distribuidoras, já que a oferta está muito próxima à demanda. Para a safra 2.000, o Paraná deve produzir menos de um bilhão de litros de álcool, revelando uma quebra de 10% a 20% na safra. Essa quebra de produção é atribuída à falta de tratos culturais por parte dos produtores no ano passado devido ao desestímulo com a rentabilidade negativa do setor. A safra também sofreu os efeitos da estiagem ocorrida no segundo semestre, devendo resultar numa perda de produção de aproximadamente 200 milhões de litros, calcula Tormena. Na safra passada, o Paraná produziu 1,1 bilhão de litros de álcool e havia um excedente de estoques de dois bilhões de litros, o que resultou num excesso de produção.