O setor sucroalcooleiro reagiu com incredulidade às declarações dadas ontem pelo ministro Pratini de Moraes sobre os instrumentos que o governo poderia utilizar para forçar a queda do preço do álcool combustível, como a possibilidade de confisco dos estoques de álcool e redução de 22% para 20% no volume de álcool adicionado à gasolina. ‘‘O governo não deve estar falando sério. O que o ministro está querendo dizer é que existem esses instrumentos e não que ele realmente vai utilizá-los. Mesmo porque isso seria um ato de brutalidade sem sentido’’, disse o presidente da União da Agroindústria Canavieira (Única), João Carlos Figueiredo Ferraz, que também preside a Brasil Álcool.
Segundo ele, as medidas comentadas pelo ministro não fariam sentido porque a própria Brasil Álcool está disposta a liberar seus estoques, que chegam a 800 milhões de litros, já a partir da próxima semana. ‘‘Existe uma total tranquilidade do setor para o abastecimento este ano, apesar da quebra ter sido grande’’.
Para o usineiro Cícero Junqueira Franco, considerado um dos criadores do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), o governo está tentando contornar agora um erro cometido na entressafra. ‘‘Na época em que o governo estava fazendo seus leilões para fazer caixa com a valorização do álcool, era a hora dos produtores estarem colocando o seu produto no mercado. Naquela época havia estoque. O governo tinha que ter deixado para fazer os leilões quando faltasse o produto’’.

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