Usineiros não temem ameaça do governo
Vânia Casado
Curitiba
Os usineiros do Paraná mostraram-se indiferentes ao ato do governo de cortar o crédito de estocagem de álcool. O presidente da Alcoopar (Associação dos Produtores de Açúcar e Álcool do Paraná), Anísio Tormena, disse que as ameaças que o governo faz ao setor representam mais uma necessidade que ele tem de dar uma satisfação à opinião pública.
E disse mais, entre ficar com o financiamento do governo para estocagem e manter os preços do álcool recuperados como estão, eles preferem a segunda opção. Conforme a Alcoopar o financiamento para estocagem corresponde aos contratos de warrant. Ele não soube precisar quanto dos R$ 40 milhões, disponibilizados ficariam no Paraná. Mas antecipou que é pouco. Os usineiros paranaenses não são dependentes desses créditos, explicou.
Em relação à ameaça de importar álcool, os usineiros não deram crédito nas intenções do governo. Segundo Tormena, já houve tentativas de se importar álcool em outras épocas e a iniciativa foi alvo de corrupção. Além disso, dificilmente o álcool importado chegaria ao país a preços competitivos, acrescentou.
Tormena disse que o setor não está preocupado com a desova de estoques públicos de álcool para forçar uma baixa no preço do produto. Segundo ele, o governo tem apenas 800 milhões de litros de álcool, que corresponde ao consumo de apenas um mês. Além do estoque ser esgotado rapidamente, o governo precisa manter uma reserva estratégia, assinalou.
A tranquilidade dos usineiros paranaenses decorre da certeza de que o impacto do aumento no preço do álcool, que afetou negativamente na opinião pública, terá passado até o final do ano. Isso porque eles acreditam que a tendência do preço da gasolina é continuar crescendo em decorrência da necessidade de importações, e o preço do álcool deverá permanecer onde está, entre R$ 0,38 a R$ 0,40 o litro.
Com isso, a tendência é o preço da gasolina se distanciar cada vez mais do preço do álcool. Tormena aposta na volta da viabilidade álcool combustível, mas com sustentação via mercado, com os preços recuperados. Segundo a Alcoopar as usinas voltaram a praticar o mesmo nível de preços de 1997, quando as usinas vendiam o álcool por R$ 0,40 o litro. Naquela época, o consumidor pagava R$ 0,73 por litro, que representavam 85% do preço da gasolina. Hoje, pagam R$ 0,87 na bomba, que representa 70% do preço da gasolina.





