Usineiros ameaçam suspender colheita
Vânia Casado
De Curitiba
Os produtores de cana do Paraná estão ameaçando paralisar a colheita da cana no Estado, à exemplo dos produtores paulistas, caso não seja suspenso o decreto do Ministério do Meio Ambiente, que proíbe as queimadas em todo o território nacional. O decreto foi editado na segunda-feira, dia 6, no meio do feriado prolongado e surpreendeu os produtores. A atividade canavieira é usuária da prática do fogo para queimar a palha da cana, que viabiliza a colheita, sendo que a prática é rápida e controlada, com poucos danos ao meio ambiente, afirmou o presidente da Associação dos Produtores de Açúcar e Álcool do Paraná (Alcoopar), Anísio Tormena.
Se o impasse criado com o decreto não for revertido rapidamente, pode acontecer um desemprego em massa no Paraná, porque o setor emprega 75 mil pessoas, entre a atividade no campo e na indústria. Se o campo pára, a indústria também pára, disse Tormena. Para evitar o pior, os produtores de cana estão apostando nas chuvas previstas para ocorrem até sábado, para que o decreto seja suspenso. Se não chover a diretoria da Alcoopar quer manter um contato, ainda hoje, com o secretário estadual do Meio Ambiente, Hitoshi Nakamura. Os produtores vão pedir a intervenção do secretário junto ao Ministério do Meio Ambiente para reverter o rigor do decreto.
Como contrapartida à intervenção do governo estadual, os produtores se comprometem a controlar o fogo na área restrita de colheita, evitando que ele se espalhe para áreas de reserva florestal e pastagens que devem ser preservadas. Apesar disso, Tormena salientou que a ação do fogo como mecanismo de queimar a palha da cana e facilitar o manuseio com a cana é natural e provoca poucos danos ao meio ambiente. Pior que isso são as indústrias que poluem, alfinetou.
A preocupação dos produtores é que ainda falta 40% da produção de cana no Estado para ser colhida, que corresponde a 10 milhões de toneladas. Sem o fogo, essa prática torna-se inviável e improdutiva porque expõe os trabalhadores ao risco de serem mordidos por animais peçonhentos como cobras e aranhas, comuns entre os canaviais. Além disso a produtividade reduz em 50%, o que onera os custos de produção. Enquanto o trabalhador colhe 6 toneladas de cana por dia, sem o fogo poderá colher apenas 3 toneladas de cana por dia.
Segundo Tormena, a abrangência do decreto é ainda muito mais severa no Paraná, onde 95% da colheita é manual e a palha não tem como ser eliminada sem a prática do fogo.





