O álcool deve ficar de fora dos reajustes de combustíveis previstos pelas distribuidoras para amanhã, segundo asseguraram ontem usineiros e representantes das distribuidoras de combustíveis. ''O governo autorizou um reajuste de até 4% na gasolina e é isso que será feito pelas distribuidoras, cada uma de acordo com seu custo'', afirmou o assessor da Aster Distribuidora, João Luiz Roque, descartando qualquer possibilidade do reajuste chegar ao preço do álcool.
Maurílio Biagi Filho, presidente da Companhia Energética Santa Elisa, de Sertãozinho, argumentou que o preço do álcool pago ao produtor vem se mantendo estável desde o início do ano, tendo até mesmo apresentado variações mínimas de baixa no mercado nas últimas semanas. ''Não existe nenhuma lógica em repassar qualquer reajuste para o preço do álcool neste momento'', disse Biagi. Ele defende, inclusive, que se o governo autorizasse de imediato que a mistura do álcool anidro na gasolina passasse dos atuais 22% para 24%, haveria uma neutralização do reajuste na gasolina. ''O álcool praticamente subsidia a gasolina, impedindo que ela tenha um preço ainda mais elevado'', disse.
Segundo ele, no entanto, as distribuidoras podem agir sobre o preço do álcool na bomba de combustível, como já fizeram outras vezes, sem repassar este reajuste para o produtor. ''As distribuidoras formam uma máfia que, para manter suas margens de lucro compensam reajustes menores sobre a gasolina, optando por aumentar também o álcool'', afirmou.
Apesar das afirmações das distribuidoras e usinas, analistas de mercado não descartam a possibilidade do reajuste chegar ao preço do álcool, se não esta semana, até o final do mês de outubro. ''Na prática não há realmente a mínima lógica em repassar um reajuste de óleo diesel para o álcool, porque o seu processo de produção é completamente distinto do processo da gasolina'', comenta o delegado regional do Conselho Regional de Economia (Corecon), em Ribeirão Preto, Afonso Reis Duarte.

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