Usinas querem nivelar preço com EUA
Salete Silva
Agência Estado
Obter do governo dos Estados Unidos para o álcool brasilleiro a mesma isenção de impostos e o mesmo tratamento oferecido ao álcool norte-americano é uma das condições importantes para que os dois países fechem nós próximos meses o acordo que prevê a exportação de 2 bilhões de litros de álcool brasileiro para os Estados Unidos. Sem isso, os produtores brasileiros não vão conseguir vender o álcool nacional pelo mesmo preço pago ao produtor norte-americano, segundo relatório da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica).
Essa condição já conta com apoio de produtores e autoridades norte-americanos que definiram uma estratégia de trabalho conjunta. A idéia é aproveitar o excedente brasileiro de álcool para ocupar uma fatia importante do mercado de combustíveis da California, o maior dos Estados Unidos, que demanda 4 bilhões de litros ao ano, equivalentes a dois terços do volume atual de produção de álcool nos EUA.
Além da isenção de taxa para o produto nacioal, a estratégia inclui uma operação de compra, venda e distribuição de álcool brasileiro no mercado do estado da California. ‘‘Garantir uma parceria com os produtores norteamericanos, no entanto, é condição importante para que o acordo saia’’, diz um produtor brasileiro. A última reunião oficial entre produtores dos Estados Unidos e o embaixador Paulo Tarso Flexa de Lima, intermediador das negociações, ocorreu dia 7 de maio, segundo a Única.
Depois do encontro, o embaixador redigiu uma carta às autoridades californianas solicitando uma reunião com o governador da California, Pete Wilson, que, segundo assessores da Unica, deverá acontecer nos próximos 20 dias. Embora problemas burocráticos possam atrasar o fechameto do acordo, a expectativa dos produtores, segundo a Unica, é que o País comece a exportar já a partir do início do segundo semestre.
Um acordo entre os dois países vai permitir que o Brasil liquide seu estoque excedente temporário de 2 bilhões de litros que, pelos cálculos da Única, levariam de dois a três anos para serem absorvidos pelo consumo interno. Um entendimento resolveria também o problema dos produtores norte-americanos, que precisam de pelo menos três anos para ajustar a capacidade de produção às exigências do mercado dos EUA, depois que as autoridades norte-americanas decidiram substituir o MTBE pelo álcool anidro.

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