Usinas pedem liberação de preços
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de junho de 1998
Marccio W. Varella 
Usinas e destilarias de álcool do Norte e Noroeste do Paraná estão exigindo do governo federal a liberação dos preços do álcool hidratado, prometida para 1º de maio e transferida para 1º de novembro deste ano. Sem liberdade para operar, essas empresas já estão paralisando a produção por falta de compradores - as distribuidoras de combustíveis, que compram no mercado paralelo pela média de R$ 0,30 o litro, conforme denúncia feita à Folha ontem pelo diretor da Cooperativa Agrícola dos Produtores de Cana do Vale do Ivaí (Cooperval), Élcio Rabassi.
A Cooperval, de Jandaia do Sul; a Coopcana, de Paraíso do Norte, e a Usiban, de Bandeirantes, já estão paralisando suas atividades. As três estão há 68 dias produzindo álcool sem faturar. Juntas, essas três usinas empregam 10 mil pessoas. No Estado, as 27 usinas e destilarias empregam 75 mil trabalhadores. Na Cooperval, os 640 funcionários da usina estão sem receber salários há dois meses.
O presidente da Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Estado do Paraná (Alcopar), Ermeto Barea, explicou que, com a promessa de liberação dos preços para maio, as companhias distribuidoras começaram a pressionar os produtores e assim tentar comprar o álcool a preços abaixo da tabela. Em alguns casos, as distribuidoras conseguiram preços até 40% abaixo da tabela.
Os produtores, que estavam confiantes na liberação dos preços, descontaram duplicatas na rede bancária. Por sua vez, o governo fez a planilha de alocação de cotas para cada unidade produtora e a partilha entre as companhias distribuidoras. Também determinou às destilarias que faturassem suas vendas com vencimentos a 1º e 10 de junho.
Mas, ainda segundo Barea, as companhias distribuidoras, entre elas a própria BR (da Petrobrás), numa clara demonstração de desobediência civil, não apenas deixaram de faturar o álcool partilhado em planilha pelo governo como não efetuaram o pagamento de nenhuma fatura. Consequência: desde 1º de maio que os os produtores não conseguem vender nenhum litro de álcool e nem saldar seus compromissos.


