Usinas já produzem mais álcool que açúcar
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quinta-feira, 07 de julho de 2005
Eduardo Magossi<br>Agência Estado 
São Paulo A expansão das vendas dos veículos bicombustíveis no Brasil a um nível acima do esperado está levando o setor sucroalcooleiro a rever o porcentual da produção de cana que está sendo transformado em álcool e em açúcar. A prioridade será a produção de álcool, e a expectativa é de que a atual safra 2005/2006 seja a mais desde 1999/2000.
O consultor Plínio Nastari, que dirige a Datagro, consultoria especializada no setor sucroalcooleiro, estima que, na Região Centro-Sul, 52,2% da cana será utilizada para a produção de etanol, ante 50,40% na safra passada. Este aumento na produção de álcool será efetivado para atender basicamente ao mercado interno e ocorrerá em detrimento da produção de açúcar. Na região de Ribeirão Preto, o porcentual dedicado ao álcool já atinge 54%, diz o presidente da trading Crystalsev, João Carlos Figueiredo Ferraz.
Diante do alto preço do petróleo e da existência de álcool combustível relativamente barato no Brasil, as vendas de bicombustíveis dispararam, tendo superado a dos carros novos movidos a gasolina.
Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em junho foram vendidos 71.260 bicombustíveis, 51,9% de todos os carros novos vendidos. No acumulado do primeiro semestre, foram 302.435 unidades, 39,5% de todos os carros novos vendidos. Em comparação com o primeiro semestre de 2004, quando as vendas foram de 102.069 unidades, o crescimento é de 152,4%.
Nastari ressalta que esta maior produção de álcool irá reduzir a oferta de excedente exportável de açúcar. ''As exportações brasileiras de açúcar na safra 2005/2006 devem permanecer estáveis em relação à safra passada porque toda a expansão registrada na produção de cana foi direcionada para a produção de álcool'', diz. A produção de cana deve atingir 402 milhões de toneladas em 2005/2006, 5% a mais que na safra anterior.
Os preços do açúcar no mercado internacional também estão sendo sustentados pelo comportamento dos produtores brasileiros. ''O mercado trabalha com a expectativa de que haverá o mesmo volume de açúcar disponível para exportação nesta safra ante a safra passada, mesmo com o aumento da demanda internacional'', afirma Nastari. Países exportadores como a Austrália, China, Tailândia e Cuba estão enfrentando problemas com o clima e deverão reduzir a oferta externa. ''Esta alta de preços que o mercado está registrando é um sinal de que os países consumidores estão utilizando seus estoques'', diz.


