Usinas defendem subsídios ao álcool
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quinta-feira, 19 de junho de 1997
Gustavo Paul Agência Estado BRASÍLIA 
ArquivoSubsidiar é precisoA agroindústria da cana é o setor que apresenta maior nível de preocupação social e não pode prescindir dos subsídios A Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Estado de São Paulo e entidades representativas do setor sucroalcooleiro em outros Estados defenderam ontem o subsídio à produção de álcool, em resposta às críticas do ministro das Minas e Energia, esta semana, à Frente Parlamentar Sucroalcooleira. Os produtores afirmam que o País tem motivos mais do que suficientes para justificar o subsídio ao álcool. Além do combustível alternativo e da questão ambiental, os produtores destacam a questão social: é o setor que mais gerou emprego no campo ano passado.
O ministro de Minas e Energia, Raimundo Brito criticou a atual política de subsídio ao álcool no País, defendeu uma reformulação nessa subvenção e cobrou dos produtores e do Congresso uma participação efetiva nessa discussão. É preciso que o subsídio ao álcool combustível se dê a partir de custos econômicos eficientes, afirmou o ministro à Frente Parlamentar Sucroalcooleira. Ele lembrou que R$ 1,7 bilhão de subsídios dados todo ano ao setor no Brasil é um valor elevado em qualquer lugar do mundo.
O subsídio, porém, segundo o ministro, não deve ser extinto. O custo da produção do álcool leva a preços que não podem ser confrontados com os derivados do petróleo, argumentou Brito. Para ele, o álcool continua sendo fundamental na matriz energética brasileira. O álcool anidro compõe 22% da gasolina consumida no País, cuja demanda cresce 6% ao ano. O consumo de álcool combustível cresce 3% ao ano. Pelas vantagens sociais, econômicas e ecológicas o País tem que encarar de frente essa situação e buscar mecanismos adequados para esse subsídio, afirmou Brito.
O governo foi criticado por parlamentares no seminário O futuro do Alcool, promovido pela Comissão de Minas e Energia da Câmara, por não apresentar uma política clara para o álcool. O setor não tem abertura de novos financiamentos e está falindo por falta de recursos, afirmou o deputado Maluly Neto (PFL-SP). Raimundo Brito não gostou do comentário e cobrou uma posição dos parlamentares. É preciso acabar com essa tradição de que toda questão, todos os problemas, devem ser equacionados pelo governo, disse Brito.
O ministro quer que os empresários do setor se comprometam a repassar ganhos de produtividade para os consumidores. É preciso uma contrapartida setorial, com ganhos de qualidade, afirmou. Esse repasse ao consumidor poderia vir, segundo ele, com a redução de parte do subsídio existente hoje. Para ele, o valor do subsídio é elevado e deve ser reduzido com esse debate. Pode-se reduzir o subsídio, disse.
Ele citou dados mostrando que a safra de cana no País está aumentando. Segundo Brito, a safra 91/92 produziu 11,8 milhos de metros cúbicos de álcool e a última safra chegou a 13,9 milhões de metros cúbicos. O setor não está quebrado, disse. A solução, segundo ele, ainda não existe e deve ser buscada entre governo, Congresso e os produtores. O que não pode permanecer é essa sistemática de subsídios às escondidas que hoje é adotada, avaliou Brito.


