Curitiba O uso indiscriminado de herbicidas nas plantações de cana-de-açúcar nas regiões Norte e Noroeste do Estado está causando prejuízos às lavouras vizinhas, principalmente de frutíferas, e contaminando o meio ambiente. A denúncia, contra as usinas de álcool, é da Comissão Pastoral da Terra do Paraná (CPT-PR) e foi entregue, ontem, à Promotoria do Meio Ambiente, Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab).
Segundo a denúncia da CPT, os usineiros estariam usando, indevidamente, agrotóxicos principalmente os herbicidas que têm como princípio ativo o 2.4-D para acelerar o amadurecimento da cana. O produto causa estresse na planta e interrompe seu ciclo vegetativo, provocando a maturação precoce.
O secretário executivo da CPT, Jelson Oliveira, disse que o herbicida estaria sendo pulverizado por aviões nos canaviais e se espalhando sobre as propriedades vizinhas. O produto, segundo ele, fica na atmosfera e depois se espalha por um raio de até 30 quilômetros do ponto onde foi aplicado. O herbicida acaba tendo efeito negativo sobre a produção de culturas mais sensíveis como é o caso da uva e outras frutíferas, café e hortaliças.
A CPT quer promover uma audiência pública com os agricultores afetados para tentar reunir provas do uso indevido do agrotóxico. Pretende, ainda, garantir que esses pequenos produtores rurais sejam indenizados pelos danos causados às lavouras.
Não existe, ainda, um levantamento dos prejuízos financeiros dos agricultores. De acordo com o padre Zenildo Megiatto, da CPT em São Pedro do Ivaí, muitos produtores do município estão abandonando suas plantações, principalmente de uva, porque não conseguem mais recuperar as lavouras. Em São João do Ivaí, citou, eram produzidas 120 toneladas de uva por ano. O mais grave, para ele, é ''o imensurável o dano ao meio ambiente'' com a contaminação do solo e de mananciais.
O fato, segundo Megiatto, já teria sido denunciado ao escritório regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), em São João do Ivaí, mas o órgão alegou que a autorização do uso de agrotóxicos seria de responsabilidade da Seab.

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