Usinas de álcool ameaçam suspender atividade no PR
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segunda-feira, 29 de junho de 1998
Vânia Casado 
As usinas de álcool reunidas em assembléia, ontem, em Maringá, decidiram paralisar as atividades a partir da semana que vem. Os usineiros não confiam que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) vai cumprir a regulamentação, editada na última sexta-feira, restabelecendo a comercialização do álcool entre distribuidoras e usinas. As usinas paranaenses estão há dois meses sem comercializar álcool, deixando de faturar R$ 2,8 bilhões por mês, que corresponde à comercialização de 70 milhões de litros, informou o diretor da Associação dos Produtores de Álcool do Paraná (Alcoopar), Paulo Zanetti.
Com isso, está crescendo a inadimplência das usinas com fornecedores e com o pagamento de tributos. Segundo Zanetti, os produtores de álcool em todo o País, que somam 346, estão nas mãos de seis grandes distribuidoras de álcool que atuam a nível nacional, controlando 80% de todo o mercado. Com o excesso de produção esse ano, as distribuidoras estão derrubando o preço do álcool, fixado por lei a R$ 0,41 o litro.Elas estão pagando em torno de R$ 0,30 o litro e não estão repassando essa vantagem para o consumidor, denunciou Zanetti.
Os estoques de álcool no Paraná atingem 100 milhões de litros e 1,8 bilhão de litros em todo país. Mesmo com a liberação de financiamento para os estoques de álcool, também decidido pelo governo na última semana, os usineiros não estão confiantes no restabelecimento da comercialização. Zanetti afirma que o governo tem a boa vontade de regulamentar o setor, mas não tem a competência da fiscalização, deixando que as distribuidoras pressionem o preço do álcool para baixo, colocando em risco o emprego de trabalhadores rurais. O setor gera no Paraná 74.000 empregos diretos e 300.000 indiretos e caso não haja uma solução a curto prazo, poderá haver demissões no curto prazo, admite Zanetti.
Zanetti criticou o governo federal que induziu o produtor a implantar usinas de álcool em regiões distantes dos grandes centros produtores e em locais com solos menos férteis, como o Norte do Mato Grosso, Pontal do Paranapanema (SP), região do Arenito (PR), onde os preços pagos são menores ainda.Muitas usinas desesperadas com a falta de faturamento, comercializaram o seu produto até por R$ 0,20 o litro, porque estão longe dos grandes centros e as distribuidoras fazem um leilão de preços, revelou. Na bomba, o álcool chega ao consumidor entre R$ 0,68 e R$ 0,69 o litro, sendo que essa diferença fica com o distribuidor, acrescentou.
Ontem, os produtores estavam em assembléia, na Alcoopar, e decidiram deixar a questão em aberto. Caso não voltem a vender álcool até a semana que vem, irão parar as atividades, porque já estão sem recursos até para pagar os funcionários, concluiu Zanetti.


