Usinas adotam colheita mecânica no PR
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quinta-feira, 21 de agosto de 1997
Guto Rocha Londrina 
Milton DóriaMáquina colhe cana em lavoura na região da Corol, que já planeja comprar novas colheitadeiras A escassez de pessoal para a colheita de cana-de-açúcar no Paraná está sendo contornada por algumas usinas com o emprego de colheitadeira mecânica. A Corol, de Rolândia, comprou três máquinas para colher cana. Segundo o diretor Industrial da cooperativa, Antônio Sérgio de Oliveira, as máquinas serão responsáveis pela colheita de 30% da área ocupada com canaviais (6 mil hectares). O plano da Corol é de adquirir mais três máquinas para a próxima safra e passar a colher 50% da área utilizando a colheitadeira, afirma.
Oliveira diz que cada máquina substitui em média 100 trabalhadores, nas condições atuais das lavouras. Mas com a readequação das lavouras para o emprego da máquina, esta média pode subir para 130 trabalhadores, calcula.
A Corol, diz Oliveira, já havia testado em 1987 o emprego de máquina na colheita da cana, mas o rendimento não foi compensador, além de exigir a queima da cana antes da colheita, como no processo manual. As máquina foram substituídas pelas atuais, que são bem mais rústicas e trabalham bem em terrenos inclinados, comenta. Segundo Oliveira, a máquina que está sendo utilizada agora é nacional, marca Santal, e custou R$ 240 mil cada.
O diretor da Corol diz que como a máquina não exige a queima da cana antes da colheita, o processo acaba contribuindo para preservação do meio ambiente. Ele observa ainda que o solo também sofre menor compactação e recebe grande quantidade de matéria orgânica originada no processo de colheita.
Além da vantagem ambiental, Oliveira destaca as vantagens industriais que a máquina proporciona. Ele explica que a máquina garante um fluxo constante de matéria-prima para a usina, uma vez que a colheitadeira trabalha 24 horas por dia, inclusive no finais de semana e feriados.
Este fluxo constante também garante melhor qualidade e maior rendimento industrial. Oliveira diz que como a cana sai da colheitadeira direto para o caminhão, que segue para a usina imediatamente, a cana não sofre o processo conhecido como tempo de queima. O tempo de queima é o espaço entre a colheita pelo processo manual e o embarque para a usina. O ideal é que a cana fique na lavoura no máximo por 30 horas após o corte, mas na média, este tempo chega a 90 horas, afirma. Durante o tempo de queima, a cana pode ser contaminada por microorganismos que acabam prejudicando o rendimento e a qualidade do produto final.
Oliveira não informou o quanto a Corol vai conseguir reduzir seus custos com o emprego da máquina, mas garante que a diferença entre o emprego de pessoal e da colheitadeira é muito pequeno. Mas favorável à máquina, afirma. O diretor da Corol diz que mesmo com a máquina, a cooperativa vai manter seus 600 cortadores de cana fixos. Estes trabalhadores estão recebendo treinamento e novos equipamentos para aumentar a produtividade e seus rendimentos, afirma.
A Usina Cidade Gaúcha, no Noroeste do Estado, está utilizando a colheita mecânica. Segundo o proprietário da usina, Ermeto Barea, que também é presidente da Alcopar, o usina conta com duas máquinas, que se revezam na colheita. Mas por enquanto estamos testando as máquinas, que devem colher entre 5% e 10% da área, afirma.
Na avaliação de Barea, a máquina ainda deixa muito a desejar. Ele afirmou que a colheitadeira deixa entre 8% e 10% da cana para trás, obrigando o emprego de pessoas para a catação da cana. Ele disse também que o custo operacional da máquina é muito caro em relação ao emprego de pessoal. Enquanto o corte manual representa 28% do custo da cana, a máquina fica em 36% no total, compara. Prefiro a mão-de-obra tradicional, se tivesse pessoal suficiente pararia a máquina, afirma Barea.


