Usina retoma produção prometendo 'nova era'
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Porecatu - Após um ano e sete meses totalmente paradas, as duas moendas da Usina Central de Porecatu (Norte do Estado) voltaram a funcionar na manhã de ontem, trazendo esperança de dias melhores para mais de 5,5 mil trabalhadores. A produção teve início logo após uma missa realizada nas dependências da empresa. Até dezembro serão moídos quase dois milhões de toneladas de cana que serão transformadas em 60 milhões de litros de álcool e mais 3,8 milhões de sacas de açúcar. Otimistas com os preços em alta no mercado internacional, a meta é exportar 60% de tudo que for produzido.
O porta-voz do Grupo Atalla, Alexandre Teixeira, destacou que a retomada das atividades marca uma nova era da usina, uma das maiores do Paraná. Com uma história de quase sete décadas, a indústria passou a ser fonte de problemas trabalhistas e econômicos a partir dos anos 1970. Um dos últimos episódios se estendeu de novembro de 2007 até os primeiros meses deste ano: a produção foi suspensa, houve greve por atraso de salários e ocorreram diversas autuações pelo Ministério Público do Trabalho, entre outras situações.
O Grupo Atalla, proprietário da Usina, anunciou medidas para uma nova etapa da indústria, mais adequada às exigências dos tempos atuais. Um novo Conselho Gestor foi formado sob o comando geral do empresário Wolney Atalla. Em março, foi assinado um termo de ajuste de conduta (TAC) com a Promotoria de Defesa do Meio Ambiente, no qual a empresa se comprometeu a investir R$ 25 milhões na recuperação de áreas degradadas. Ontem, o porta-voz do Grupo Atalla, Alexandre Teixeira, garantiu que outra queixa feita pelo Ministério Público do Trabalho, a existência de trabalho escravo, teria sido arquivada.
O porta-voz afirmou que o momento atual é de otimismo. ''O mercado internacional está em expansão e o interno também está aquecido'', comentou. A indústria, segundo ele, já trabalha para aproveitar o mercado externo - a saca do açúcar valia ontem R$ 50,00 - e exportar até 60% da produção. A usina tem capacidade de moer até 48 mil toneladas de cana diariamente.
O religamento das moendas já trouxe reflexos para os municípios da região. Foram contratados mais de 3 mil trabalhadores e a expectativa é que outros 2,5 mil terceirizados sejam aproveitados. ''Neste ano, o Natal do bóia-fria vai ser gordo'', prometeu o porta-voz.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Alimentos, Celso Mattos, destacou que ''todos estão esperançosos com a retomada da usina''. ''Foi um compromisso que eles assumiram não só com o sindicato mas também com toda a sociedade de Porecatu e região'', complementou. Ele avisou, porém, que os trabalhadores permanecerão ''alertas a qualquer sinal de perigo''.


